“Nunca menti nem roubei e trabalho desde os 13”

Em entrevista exclusiva ao Brasil 247, Joo Doria Jr. condena mentirinhas no mundo corporativo e na poltica brasileira; nesta semana, o apresentador de O Aprendiz forou concorrente a se demitir e elevou audincia do programa; ele nega que tenha humilhado o candidato; leia ntegra

“Nunca menti nem roubei e trabalho desde os 13”
“Nunca menti nem roubei e trabalho desde os 13” (Foto: DIVULGAÇÃO)
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Diego Iraheta_247 - A última edição de O Aprendiz, na Record, surpreendeu o público quando o apresentador João Doria Jr. forçou um concorrente a se demitir. Fernando Gonçalves foi flagrado pelas câmeras contando uma “mentirinha” em uma das etapas do programa. “Você não tem bom senso, não tem princípios e, se você continuar adotando essa postura na sua existência, na sua vida, você não vai ser ninguém”, cravou o âncora, em uma atitude inusitada que fez a audiência da Record subir e a tuitosfera bombar.

“São os pequenos desvios de conduta que levam a grandes desvios de conduta no Brasil”, disse Doria ao Brasil 247. O empresário paulista de 53 anos destacou que tem tolerância zero a mentirinhas – seja no mundo corporativo ou na política brasileira. Nesta entrevista exclusiva, ele criticou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi – alvejado por denúncias, também contou como é seu estilo de chefia na rotina do Grupo Doria e relembrou o difícil início de sua trajetória profissional.

Brasil 247: O seu nome foi para os Trending Topics do Twitter com muita gente surpresa com seu novo approach. Você foi bastante duro para seu estilo corriqueiro. Por que essa mudança de postura?

João Doria Jr: Foi pelo perfil do próprio programa. Como agora estamos tratando com empreendedores, é uma faixa etária mais avançada. Não são só estudantes. É um perfil de participante mais adulto. Por isso, permite um grau de cobrança mais incisivo.

Mas, no caso da demissão de terça-feira, soou como humilhação. O senhor não acha que errou a mão?

Não houve humilhação alguma. Houve só um posicionamento firme e forte.

Mas não é um pouco demais dizer que a pessoa não vai ser ninguém na vida e até na existência?

Se agir com deslealdade e sem ética, não será ninguém. Nenhuma pessoa que atue ao arrepio da lei, ao arrepio daquilo que é correto, não será alguém. Eu apenas o alertei [o candidato], não foi uma ameaça, foi um alerta. Se você agir assim na vida, não vai ser ninguém.

Sim, compreendo. Mas e o grande número de corruptos em cargos públicos e até em empresas, Doria? Sem fazer apologia a esse tipo de conduta, mas são pessoas que mentem e que são “alguém”, em tese...

Mas é errada essa condescendência com a mentirinha, com a pequena omissão. São os pequenos desvios de conduta que levam o Brasil a grandes desvios de conduta! Que faz, por exemplo, que um ministro [do Trabalho, Carlos Lupi] diga que uma falha de memória o levou a dizer que não tinha usado um avião fretado. O Brasil vai mal por causa das mentirinhas.

Então, o senhor nunca contou uma mentirinha?

Não, eu não roubo em jogo, não minto e tenho a minha conduta absolutamente pautada pela ética. Fui educado assim. Não falo palavrão, não xingo as pessoas, não roubo nem tenho atitudes desleais. Além disso, quem rouba no pouco também rouba no muito. Pode ser no Aprendiz, com fornecedor, com cliente. Essa é minha postura.

Tudo que está na TV é amplificado. Quando há uma demissão como a de terça-feira, existe uma exposição pública do “candidato”. Pareceu-me cena de empresa em que o chefe fica gritando, expondo os funcionários. O que acontece em O Aprendiz não vira uma espécie de bullying televisivo?

Se você ofendesse ou fizesse uma crítica preconceituosa, aí com certeza seria altamente condenável. Porque, como apresentador, você estabeleceria uma regra antidemocrática e o outro não teria direito de se recompor. Se você ofende pessoalmente ou estabelece discriminação, eu concordo que seria condenável. Mas eu, mesmo sendo duro, procuro ser muito cuidadoso e zeloso. Não concordo com muitos tuiteiros de que houve exacerbação... Tanto é que os dois demitidos reconheceram que erraram e aprenderam a lição.

E qual é o seu estilo de chefia no dia a dia? Durão ou mais soft?

Menos duro que no programa. Quem me conhece sabe... Mas sempre muito incisivo. Eu estou muito ao lado da minha equipe. Eu não mando, eu atuo; é diferente. Eu faço junto com a equipe. Mas eu sou mto exigente.

Nada de expor os funcionários, como os concorrentes em O Aprendiz?

Sem ofensas! Isso você não vai ouvir de mim nunca. Xingamento, ofensa, desqualificação; nem em programa de TV, nem fora. Você não vai conhecer ninguém que me viu humilhando, batendo. Eu não grito; eu sou incisivo.

Até porque, se gritar, o líder não está conquistando os subordinados pelo respeito...

Exato. Ele conquista pelo respeito e não pelo medo. Líder que exerce liderança pelo medo é um ditador. Tem duração limitada porque ninguém gosta.

Sua atuação mais incisiva e polêmica rendeu picos no Ibope à Record. Podemos esperar essa postura mais dura nos próximos programas?

A resposta é sim. Não pelo Ibope, mas pelas etapas. Eu já anunciei que, a cada programa, seremos mais rigorosos. E assim é a vida; você vai galgando posições, e o grau de exigência para com você é maior. O nível de expectativa é maior. A régua fica mais alta, tem que ter um esforço maior.

Para encerrar, o público quer saber: como foi o aprendiz João Doria na juventude?

Sofri e apanhei bastante porque sou filho de um deputado cassado pelo golpe militar. Fui exilado com minha família. Quando voltamos ao Brasil, voltamos sem nada. A dificuldade imposta pela minha circunstância foi muito grande. Foi um período muito duro; eu tive que sair de escola privada e ir pra escola pública. Tive que começar a trabalhar aos 13 anos por absoluta necessidade, com muita dificuldade para tentar nos manter. Essa dificuldade foi a grande trilha do aprendizado, de conduta, de perseverança, de desejo de poder vencer.

 

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