O camaronês e o neojornalismo

A reação da audiência – ao compartilhar ou retuitar reportagens – indica os valores-notícias que de fato importam

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Na efervescência das redes sociais e tablets, estamos escrevendo as regras do jornalismo 2.0. Enquanto algumas redações mantêm o pé atrás (e a audiência em baixa), outras posicionam um novo jornalista na rotina produtiva da notícia: o internauta. Principal diário do Reino Unido, The Guardian aposta na desconstrução do paradigma “de cima-pra baixo” e traz o público para o centro do processo. Esse foi o principal recado da diretora de Mídias Sociais do jornal, Meg Pickard, em Londres, no primeiro dia do Internet World – maior fórum de mídias digitais da Europa.

Geek assumida, Meg coordena o time de jornalistas responsáveis por interagir com os leitores do site Guardian.co.uk. A formação em Antropologia Social contribui com o entendimento dos novos laços firmados online, que são reproduzidos off-line. “São os nossos ‘amigos’ que influenciam nosso consumo de notícias atualmente”, analisa, referindo-se aos contatos via Facebook ou seguidores no Twitter.

A reação da audiência – ao compartilhar ou retuitar reportagens – indica os valores-notícias que de fato importam. O buzz provocando os Trending Topics, principais assuntos comentados no TT, constitui fonte de inspiração para The Guardian. Os jornalistas passam a atuar como filtro da tuitosfera. Em cada lugar do planeta, tuiteiros viram referência para o jornal. Não são mais reduzidos a “personagens” de matérias, mas tornam-se os próprios contadores da história.

A cobertura da Copa de 2010 seguiu exatamente essa noção de jornalismo 100% participativo. The Guardian mapeou as seleções de performance mais apagada entre as 32 concorrentes. Buscou em lugares como Camarões e Eslovênia torcedores apaixonados, entrosados com o futebol do país de origem. Via Twitter, eles integraram a editoria de esportes do The Guardian durante as partidas da respectiva seleção. Gol: o tuiteiro camaronês virou comentarista de futebol do maior jornal do Reino Unido!

O time de social media do The Guardian, sob a batuta de Meg Pickard, vai testando possibilidades e nos dá uma lição. Como um filtro ativo, o jornalista tradicional tem que ir ao encontro do neojornalista – aquela pessoa comum sem as credenciais dadas por atuar no mainstream. Sem credenciais de jornalista, mas com tarimba para falar de sua especialidade, de sua vizinhança, de si própria. É na comunhão dessas duas figuras que, creio, nasce o futuro do jornalismo.

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