O dia em que a mídia levou torta, xingou e recuou

Com o magnata Rupert Murdoch humilhado no parlamento ingls, Jorge Kajuru agressivoe Ted Turner arrependido, hoje a mdia foi a principal notcia da mdia

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Marco Damiani 247 _ A mídia, que no passado nunca era notícia, hoje tornou-se o principal assunto da mídia. Em todo o mundo, as atenções se voltaram para as inquirições no parlamento inglês sobre o bilionário Rupert Murdoch, seu filho James e a ex-braço direito Rebekah Brooks. No Brasil, em particular, a mídia foi notícia pelas bobagens ditas no programa CQC, em rede nacional, pelo jornalista Jorge Kajuru contra o colega Tiago Leifert, da rede Globo. Houve ainda, por aqui, a notícia do recuo da rede de tevê CNN em chamar no seu site o Corinthians, talvez o segundo clube mais popular do Brasil, depois do Flamengo, de “pequeno”. A torcida protestou via twitter e a CNN, sem grandes dramas, tirou a palavra do texto, atendendo aos reclamos.

Uma autocrítica que, no depoimento ao parlamento, não demonstrou Rupert Murdoch. O magnata da mídia, dono de 55 jornais e 40 revistas, da tevê americana Fox News e do influente The Wall Street Journal, não admitiu que soubesse de qualquer atitude ilegal entre seus colaboradores. Porém, foi o jornal dele, o News of the World, que promoveu, comprovadamente, a realização de escutas ilegais sobre cidadãos britânicos e estrangeiros. “Fechamos o News por vergonha”, admitiu o velho barão da mídia, do alto de seus 80 anos. “Eu não sabia”. Murdoch disse, logo na abertura de sua inquirição, que este era o dia mais “humilhante” de sua vida. Momentos depois, ele foi surpreendido pela entrada em cena, em pleno parlamento, de um humorista e ativista político que tentou enfiar-lhe uma torta na cara. O gesto passou raspando, sujando o paletó do empresário, que teve de continuar falando sem a vestimenta completa.

O escândalo na mídia inglesa, que já chegou a celebridades grampeadas do quilate de Paul McCartney e David Beckham, contava, até a torta, como os melhores elementos de um filme de espionagem – e isso na terra dos grandes espiões e escritores de histórias policiais. Um possível crime já teria sido cometido no caso, vitimando o jornalista Sean Hoare, que apareceu, de maneira que a polícia considerou “inexplicável”, morto em sua própria casa. Ele foi o primeiro a denunciar o que os ingleses estão chamando de “phone hacking”. Faltava, porém, o chapliniano ingrediente do pastelão, inserido no roteiro real com a torta atirada por Jonnie Marbles contra Murdoch.

O que pode haver mais? Muita coisa, inclusive a queda do próprio Murdoch do comando da holding News Corp., em razão da acentuada queda em suas ações, e, ainda, um maior envolvimento no escândalo do primeiro-ministro David Cameron. Afinal, até o início do ano ele tinha como secretario de imprensa o jornalista Andy Coulson, que fora editor do News num período farto em grampeamentos ilegais, entre 2003 e 2007. Um desdobramento que poderá ser visto nos próximos capítulos dessa trama real. Lembre-se, de resto, que o ex-número 1 da Scotland Yard, Paul Stephenson, admitiu hoje ao parlamento, antes da audiência de Murdoch, que na assessoria de imprensa da polícia londrina trabalham 45 profissionais atualmente, 10 deles ex-funcionários do News que pertencia ao próprio Murdoch. Quanta influência, ein?

PISTOLEIROS - Outro tipo de agressão, talvez mais pesada que uma tortada, cometeu o jornalista brasileiro Jorge Kajuru. Entrevistado pelo programa CQC, da rede Bandeirantes, ele foi de uma tremenda grosseria, para dizer o mínimo (assista vídeo abaixo), em relação ao colega Thiago Leifert, da rede Globo, apresentador do Globo Esporte. Kajuru o definiu como um “merdinha” e, para piorar sua própria imagem, afirmou que, em caso de haver briga, bastaria, para ele, pagar R$ 100 reais a um pistoleiro em Goiás para dar conta da missão de matar o profissional. Pode-se, com muito esforço, interpretar as palavras de Kajuru pelo lado do humor ou da ironia, mas os ângulos da indelicadeza e da incitação à violência são bem maiores que aqueles.

Por fim, Turner. Pode não ter sido o dono da CNN a pessoa a dar a ordem, mas o fato é que a emissora tirou do seu site a palavra “pequeno” que, na véspera, qualificava o Corinthians. Isso só aconteceu após a torcida do clube paulista abrir uma conta no twitter para protestar e dizer que a agremiação é maior do que a emissora americana. Pelo sim, pelo não, a pressão deu resultado – e, corretamente, a mídia e seu orgulho se dobraram frente a opinião pública.

 

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