Perdendo leitores, jornais de papel da Alemanha enfrentam sua crise

Associação de Editoras de Revistas da Alemanha lançou uma campanha intitulada "O impresso é eficaz", para tentar segurar anunciantes que estão migrando para a mídia on-line; leitores mais jovens já foram; títulos desaparecem

Perdendo leitores, jornais de papel da Alemanha enfrentam sua crise
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247 - Diante da perda de força decorrente da evolução das mídias digitais, os jornais alemães tentam se virar para garantir uma sobrevida. Artigo publicado no site do Observatório da Imprensa analisa o quadro da imprensa alemã, onde, a exemplo do que vem acontecendo no Brasil, jornais impressos estão fechando as portas. Leia:

Outro olhar sobre a mídia impressa na Alemanha

Tradução e edição: Larriza Thurler

Jornais alemães de grande circulação eram, antigamente, uma garantia de jornalismo de alta qualidade. Mas, com a pressão da internet, as tiragens estão caindo – e também os padrões editoriais, noticia Richard A. Fuchs [Deutsche Welle, 28/12/12].

A indústria jornalística do país, que luta para sobreviver, tenta prevenir seu fim em letras garrafais: "O impresso é eficaz" é o título de uma campanha lançada pela Associação de Editoras de Revistas da Alemanha (VDZ, na sigla em alemão), em um esforço para segurar anunciantes que estão cada vez mais migrando para a mídia online.

A tiragem impressa está atualmente em um declínio vertiginoso. Alguns jornais já desapareceram. O Frankfurter Rundschau decretou falência e o Financial Times Deutschland encerrou sua operação. Até o respeitável Süddeutsche Zeitung está planejando cortes massivos.

Jornais regionais pequenos são os mais atingidos; eles esperam que fusões e cortes de emprego os ajudem a sobreviver. A razão para a crise da mídia impressa é simples: os leitores jovens preferem surfar na rede de graça a folhear um jornal que têm que comprar.

Informação diária na web

O conteúdo digital e o impresso coexistiram lado a lado por pelo menos uma década, intensificando a variedade de mídia na Alemanha – mas, agora, começou um processo de seleção, afirmou Sven Gabor Janszky, presidente da empresa de pesquisa de tendências 2b Ahead. "A informação de massa ficará resumida quase que inteiramente à mídia eletrônica", disse, prevendo que editoras que lucram no setor da mídia de massa encontrarão dificuldades para manter as receitas. "No futuro, vamos querer informação onde quer que estejamos".

Segundo ele, sistemas de assistência eletrônica que transmitem automaticamente informações específicas para smartphones continuarão a ser cada vez mais importantes. Janszky acredita que filtros eletrônicos no setor de informação de massa assumirão o papel dos jornalistas de hoje. A informação pode, assim, ser moldada de maneira mais específica às preferências do usuário.

Produto de nicho

ParaJanszky, o fim do jornal diário não significa necessariamente ao fim de toda informação impressa. Em vez de ser uma fonte imediata de notícias, a mídia impressa, no futuro, se tornará mais um artigo de luxo que coloca a informação em um contexto de opinião e análise. Não existirá mais uma edição impressa diária, mas uma revista para a elite da informação – semanal, mensal ou trimestral. As análises impressas seriam, portanto, um complemento à informação interativa, atualizada diariamente, na internet. Um exemplo disso é o jornal semanal Die Zeit, que está registrando novos recordes de tiragem a cada semana.

O resto do setor está enfrentando uma onda de fechamentos, o que afetará a qualidade das reportagens. "Veremos que jornalismo de qualidade será reduzido a um produto de nicho que é muito caro, para uma audiência específica", disse, acrescentando que leitores terão que se despedir de produtos de massa que ainda são baseados em jornalismo de qualidade.

Questão política

A crise dos jornais também tornou-se um tema político, alimentado por tendências no Reino Unido e nos Estados Unidos. Recentemente, a revista Newsweek encerrou sua edição impressa após 80 anos, devido à baixa tiragem, e existirá somente online em 2013.

A chanceler alemã Angela Merkel expressou sua preocupação com essa tendência em uma mensagem em vídeo semanal distribuída na web, na qual afirmou esperar que as revistas e jornais conhecidos tenham um bom futuro.

O professor de jornalismo Klaus Meier, especialista em cross media da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, acredita que a lamentação pela mídia impressa é inapropriada. "Não acredito que teremos mais jornais fechando completamente em um futuro próximo na Alemanha", disse, acrescentando que mesmo os diários mudaram. "Se compararmos os jornais de hoje e os de 20 anos atrás, vemos imediatamente que eles estão graficamente muito mais avançados." O uso de gráficos, quatro cores e layouts claros tornaram a leitura muito mais agradável, assim como o texto orientado para o leitor e mais notícias locais.

Para Meier, isso resultará em uma coexistência de longo prazo entre a mídia online e o setor impresso fortemente reduzido, mas ainda poderoso, com as fronteiras ainda mais tênues. "Jornais terão apenas uma edição impressa uma ou duas vezes na semana, mas publicarão atualizações interativas e atualizadas na internet", afirmou.

Como essa mudança afetará o jornalismo de alta qualidade será decidido pelo modelo de negócios adotado no futuro. Paywalls para o conteúdo digital serão usados mais frequentemente. "Por outro lado, veremos cada vez mais que o jornalismo não é 100% vendável, mas devemos pensar, em vez de modelos de fundação [não lucrativa], em investimento do governo", apostou.

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