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Perseguição dos EUA a Assange abre margem para criminalização do jornalismo no mundo todo, diz Glenn Greenwald

Em artigo, repórter estadunidense alertou que autoridades podem tentar censurar jornalistas utilizando o embasamento teórico legal criado pelos EUA na perseguição contra Assange

Glenn Greenwald e Julian Assange (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado | HANNAH MCKAY/REUTERS)
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247 - Em artigo publicado na Folha de S. Paulo neste sábado (8), o jornalista Glenn Greenwald afirmou que a perseguição do governo dos EUA a Julian Assange representa "uma ameaça grave à imprensa livre".

Em seu texto, Greenwald destacou que o governo republicano de Donald Trump acusou Assange formalmente de vários crimes com base em uma lei antiespionagem de mais de 100 anos atrás e explicou que tal lei, de 1917, "nunca havia sido utilizada para punir aqueles que publicam informações secretas: historicamente, era usada contra agentes do governo que enviam informações secretas a jornalistas".

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"Quando o Departamento de Justiça do governo Trump revelou o indiciamento de Assange em 2019, escrevi um artigo no Washington Post alertando que a teoria legal por trás daquela acusação permitiria a criminalização do jornalismo investigativo no mundo todo. Oito meses depois, procuradores brasileiros tentaram me acusar criminalmente pelo meu próprio trabalho jornalístico na Vaza Jato. A acusação usava exatamente o mesmo embasamento teórico dos EUA contra Assange: se um jornalista tenta ajudar sua fonte a permanecer anônima ou a incentiva a obter mais informações, então esse jornalista se torna um cúmplice da fonte", relatou o jornalista.

Glenn ressaltou que, apesar de reprovada pelas autoridades acusadas, a postura adotada por ele e por Assange representa "o que todos os jornalistas investigativos têm não só o direito, mas a obrigação de fazer: proteger a sua fonte. Criminalizar isso é criminalizar o jornalismo".

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O jornalista afirmou que o governo de Joe Biden, do Partido Democrata, "parece compartilhar com Trump o desprezo pela liberdade de imprensa e vem se recusando veementemente a retirar as acusações contra Assange". Isso porque, segundo ele, Assange "publicou documentos que incriminavam Hillary Clinton em meio a sua campanha presidencial contra Trump em 2016".

No entanto, Glenn pondera que "nada disso deveria justificar mandar para prisão alguém que publicou material de interesse público. E tampouco muda a realidade de que Biden está efetivando uma acusação criminal que, se bem-sucedida, servirá de inspiração para governos no mundo todo criminalizarem o jornalismo que os incomoda".

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