HOME > Mídia

PML vê vantagem de Dilma por tempo de TV

Segundo o colunista da Istoé Paulo Moreira Leite, diante da oposição da imprensa, “é muito razoável supor que boa parte dos eleitores tem, hoje, uma visão parcial das realizações do governo, o que permite imaginar uma mudança favorável a reeleição quando o horário político tiver início”

Segundo o colunista da Istoé Paulo Moreira Leite, diante da oposição da imprensa, “é muito razoável supor que boa parte dos eleitores tem, hoje, uma visão parcial das realizações do governo, o que permite imaginar uma mudança favorável a reeleição quando o horário político tiver início” (Foto: Roberta Namour)

247 – O colunista da Istoé Paulo Moreira Leite afirma que o recorde de tempo de TV alcançado pela presidente Dilma Rousseff é uma vantagem diante da oposição da imprensa. Leia:

DILMA NA TV

Em 2014, tempo no horário político pode ser mais importante do que em outras eleições

A vitória de Dilma na convenção do PMDB só pode ser minimizada por quem tem interesse em ampliar as dificuldades de sua campanha e reforçar o ânimo da oposição.
Dilma conseguiu o que queria: garantir um bom tempo na TV para defender seu governo, onde pode ficar com metade do horário disponível. 

Este fato não deve ser desprezado. 

Explico. A partir da ideia de que imprensa é oposição, o resto é secos e molhados -- sempre aplicada seletivamente, convém lembrar -- nos últimos anos a maioria dos meios de comunicação do país abriu mão da tarefa de manter os brasileiros informados, adequadamente, sobre o que se passa em seu país.

Em nome da avaliação crítica, omissões, verdades parciais -- outro nome de mentiras parciais -- e simples inverdades se tornaram uma rotina. 

O exemplo mais recente, é o da Copa, onde as distorções serviram para exagerar na soma de gastos públicos, e também para realizar comparações absurdas com despesas em áreas de educação e saúde, engrossando as tentativas de criar um surrealista ambiente de oposição ao principal torneio do esporte nacional. 

Em outras áreas, realizações importantes do governo -- como o termino parcial da Transposição do São Francisco, a Ferrovia Norte-Sul, a Transcarioca -- sequer foram divulgadas com a importância que possuem. 

A prioridade em encontrar dissidentes cubanos ajudou a encobrir o trabalho realizado a partir do programa Mais Médicos por doutores cubanos, espanhois, portugueses, argentinos e brasileiros.

Estes exemplos mostram uma situação peculiar das eleições. 

É muito razoável supor que boa parte dos eleitores tem, hoje, uma visão parcial das realizações do governo, o que permite imaginar uma mudança favorável a reeleição quando o horário político tiver início. Para muitos eleitores, surgirão novidades de bom tamanho. 

Cabe assinalar que a comparação da convenção de ontem com os numeros da convenção do PMDB de 2010 é indevida por várias razões. Dilma recebeu 61% dos votos disponíveis, ou 123 a mais do que os partidários de uma ruptura com o governo. 

A primeira razão é que não dá para comparar o Brasil de 2010 -- a economia crescia 7,5% ao ano -- com o país de 2014.
Dilma é um governo mais desgastado do que o de Lula em seu segundo mandato, que foi o verdadeiro auge de seu governo e seu prestígio. 

Dilma enfrentou os protestos de junho de 2013 - com um descontentamento radical difuso, capaz de assombrar qualquer governo de qualquer partido que estivesse em palácio naquele momento.

Em quatro anos, demorou para dar respostas articuladas para o crescimento. Teve o mérito indiscutível de manter o emprego num bom nível e seguir na politica de aumento de renda dos mais pobres, o que lhe assegura a fidelidade dos eleitores identificados com o PT -- a frio, um terço do eleitorado -- e manter a liderança nas pesquisas. 

As pesquisas apontam para um quadro relativamente estável. Mesmo oscilando para baixo, Dilma mantém uma boa vantagem em relação a Aécio e Eduardo Campos. Os números mostram que, com a soma dos votos de candidatos menores, a hipótese de levar a eleição no primeiro turno tornou-se remota. Se nem mesmo em 2010 a vitória em primeiro turno foi possível, em condições infinitamente mais favoráveis, é difícil pensar que isso possa acontecer agora. 

Dilma joga na defesa. Não pretende demonstrar que seu governo é muito melhor do que os outros. Tentará defender a ideia de que a vida dos brasileiros mais pobres ficará muito pior nas mãos de seus adversários. Este é jogo -- e por isso a TV é tão importante.