Professor de Direito acusa Folha de racismo após dar espaço para artigo que relativiza escravidão

“Ao terminar de ler o texto, eu senti ânsia de vômito, literalmente”, disse o professor de Direito Thiago amparo, que acusa o jornal de dar espaço para artigo que relativiza os danos da escravidão no Brasil

www.brasil247.com - Thiago Amparo e artigo da Folha
Thiago Amparo e artigo da Folha (Foto: Arquivo Pessoal | Reprodução)


247 - O professor de Direito Thiago Amparo escreveu um artigo no jornal Folha de S.Paulo publicado nesta quinta-feira (30) apontando que o jornal dá espaço para a relativização dos danos causados pela escravidão no Brasil. O artigo em questão é de autoria do jornalista Leandro Narloch, com o título: "Luxo e riqueza das sinhas pretas precisam inspirar o movimento negro". 

“Abro este jornal. Nele, um artigo sobre ‘negras prósperas no ápice da escravidão’. Eu pauso. Verifico a data do jornal: não é o século 19. Continuo a leitura. O autor promete ‘complicar as narrativas de ativistas’; afirma que a ‘culpada é a época e seus valores diferentes dos nossos’; e que nos traria ‘maturidade e conciliação’ as ‘lindas histórias de vida das sinhás pretas’".

“Ilustrando o texto, foram colocadas imagens da máscara de flandres, usada ora como instrumento de tortura escravagista, ora como meio de prevenção do banzo, o lento suicídio que consistia em ingerir terra até a morte. Folha, por que ainda precisamos nos masturbar coletivamente com a relativização da dor preta?”, aponta Thiago.

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De acordo com Thiago, “é peculiar da branquitude discutir o horror tomando chá: imagino as horas que serão gastas para se debater, com calma, se a linha editorial da barbárie foi ou não cruzada. Não há zona cinzenta aqui. O problema não é fazer referência a ‘negras minas’ —que eventualmente enriqueceram— ou a outras figuras históricas, o problema é, de forma ao mesmo tempo risível e desonesta, utilizá-las para suavizar a brutalidade da escravidão”. 

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Ele finaliza o texto dizendo que “o que está em jogo é se a pluralidade que este jornal preza inclui racismo. Jornais são documentos históricos: eu me reservo a dignidade derradeira de dizer com todas as letras que a coluna de Leandro Narloch é racista; que publicá-la faz do jornal conivente; e que em algum momento a corda do pluralismo esticou a tal ponto que nos enforcará”. 

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