Psicometria eleitoral chega ao Brasil

A grande novidade das eleições de 2018 no Brasil pode estar nas redes sociais e na tecnologia, através da chamada psicometria eleitoral; a análise dos perfis dos eleitores em redes sociais, aliada com dados socioeconômicos e de localização permitirão saber qual o discurso perfeito para atingir cada eleitor em particular

A grande novidade das eleições de 2018 no Brasil pode estar nas redes sociais e na tecnologia, através da chamada psicometria eleitoral; a análise dos perfis dos eleitores em redes sociais, aliada com dados socioeconômicos e de localização permitirão saber qual o discurso perfeito para atingir cada eleitor em particular
A grande novidade das eleições de 2018 no Brasil pode estar nas redes sociais e na tecnologia, através da chamada psicometria eleitoral; a análise dos perfis dos eleitores em redes sociais, aliada com dados socioeconômicos e de localização permitirão saber qual o discurso perfeito para atingir cada eleitor em particular (Foto: Charles Nisz)

247 - A psicometria eleitoral promete ser a novidade das eleições de 2018. Reportagem do jornal El País Brasil mostra como a análise dos perfis dos eleitores em redes sociais, aliada com dados socioeconômicos e de localização permitirão saber qual o discurso perfeito para atingir cada eleitor em particular.

“Eu comprei uma praia e não quero que as pessoas entrem. Qual é a melhor placa para eu fincar na areia?”, perguntou o marqueteiro André Torretta, enquanto mostrava duas fotos em uma apresentação de Power Point em seu MacBook. “Essa, dizendo que a praia é privada, ou essa, dizendo que a praia tem tubarão? A que tem tubarão funciona mais”, disse, sorrindo, em seu escritório, um coworking colorido e ostensivamente descolado em um bairro nobre de São Paulo. E se não houver tubarão na praia será uma mentira, certo? “Se não tiver tubarão, então é uma fake news”, concedeu. “Eu não vou fazer isso, mas isso existe, é possível e dá para ser feito, no limite da ética”.

Usada pelos conservadores britânicos no Brexit e por Donald Trump na eleição norte-americana de 2016, a psicometria agora chega ao Brasil pelas mãos de Torretta. Sua agência, a Cambridge Analytica Ponte, é uma mistura da sua antiga consultoria especializada nos brasileiros da classe C, a Ponte Estratégia, com a multinacional britânica Cambridge Analytica, uma empresa que promete mudar, utilizando abordagens de cunho psicológico e big data, o comportamento de eleitores e consumidores.

A estratégia utilizada é traçar a personalidade dos indivíduos com base em preceitos clássicos de psicologia e nos rastros digitais que deixamos diariamente, como perfis em redes sociais, GPS de locais visitados, dados de uso dos serviços públicos e compras online. A partir daí, eles dizem serem capazes de produzir mensagens moldadas em nível praticamente individual. E trabalham para que elas cheguem. No alvo. Há acadêmicos nos EUA e no Reino Unido se dizendo aterrorizados com a empresa, uma máquina de propaganda de mira precisa e que, se utilizada com poucos escrúpulos, pode ser daninha. Outros dizem que há muito automarketing e são céticos sobre o que, de fato, o método da consultoria pode entregar.

Torretta "tropicalizou" a metodologia da Cambridge. Se nos EUA a fama da Cambridge está associada ao CEO Alexander James Ashburner Nix, um britânico de 41 anos que só aparece vestindo ternos bem cortados, óculos de grife e cabelos bem penteados, André Torretta é, definitivamente, mais tropical. Informal, ele recebeu o jornal El País numa chamativa camisa lilás. Os óculos, de aro grosso, não eram de marca definível. Não parou de fazer piadas, muitas consigo mesmo. “Minhas piadas são em off, pelo amor de Deus.” Disse não saber falar inglês e passar longe do perfil de gênio da tecnologia. Mesmo assim, garantiu, foram os britânicos sensação no mundo do marketing político mundial que o procuraram, e não o contrário.

Confira a íntegra no site do El País

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