Qual é o limite entre conversação e jornalismo?

Editora Globo, Yahoo!, 247 e blog Mdia8! debatem na Social Media Week So Paulo

Qual é o limite entre conversação e jornalismo?
Qual é o limite entre conversação e jornalismo? (Foto: Felipe L. Gonçalves/247)

247 - O futuro do jornalismo segue em pauta na Social Media Week São Paulo. Mais uma mesa promovida pela #REDEMIS, núcleo de atividades culturais e educativas do Museu da Imagem e do Som, e pelo Brasil 247 debateu um dos temas-chaves da comunicação digital: a curadoria de informação. Em uma época em que leitores estão cada vez mais ativos e determinando o próprio repertório de notícias que lhes interessa, como fica o papel do editor de notícias?

A editora de mídias sociais da Editora Globo, Ana Brambilla, observa que a ditadura do page view vem perdendo força. Ou seja, os sites de notícias estão percebendo que não adianta só noticiar assuntos que geram visitas. Do contrário, todos os Trending Topics (tópicos mais comentados) do Twitter seriam sempre notícia. “Já existe uma ferramenta para esclarecer os TTs: o What The Trend. Os Trending Topics que devem virar notícia são aqueles que têm uma boa história por trás”, opina Brambilla.

Nesse cenário, a visibilidade dada ao caso de Luiza no Canadá parece exagerada. Mas a memeficação da notícia, já criticada pelo jornalista Carlos Nascimento, do SBT, parece uma tendência na imprensa brasileira. “Quando você entra em alguns sites, tem três, quatro notícias na home que são memes. O jornalismo no Brasil parece que está perdido, pois não sabe trabalhar nas redes sociais adequadamente”, analisa o blogueiro Cleyton Torres, jornalista fundador do Blog Mídia8!, referência em comunicação digital.

Para o professor Walter Lima, da Universidade Metodista de São Paulo, editores brasileiros deixam de dar valor a temas importantes para a sociedade e, muitas vezes, escrevem sobre assuntos frívolos que se destacam nas redes sociais. “O jornalismo foi engolido pela conversação. Qual é o limite? Audiência ou reflexão?”, questiona o pesquisador em Tecnologia e Base de Dados.

O gerente de Mídias Digitais e Sociais do 247, Diego Iraheta, acredita que o jornalismo está se redefinindo. “Dentro da rede, temos a coexistência de assuntos sérios da política nacional, que impactam nosso dia a dia, e temas mais banais, que têm, sim, um apelo. O jornalista pode dar conta desse universo”, pondera. O 247 avalia, de acordo com o termômetro dos leitores por meio das redes sociais, o que vale noticiar e destacar.

O departamento de jornalismo do Yahoo! está investindo em um projeto de crowdsourcing, modelo de produção de conteúdo baseado em colaboração. O gigante da web vai recorrer a uma rede de contribuidores, que eventualmente escreverão sobre os temas nos quais são especialistas. É um trabalho que pode gerar dividendos para o colaborador.

“Isso estimula leitores de diversas partes a participar do processo. É a globalização do leitor, o novo estágio do capitalismo na produção de conteúdo”, explica o gerente da Rede de Contribuidores do Yahoo!, Cassiano Gobbet.

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