Reinaldo Azevedo: Moro e Deltan, os valentões, fogem do 'caso Flávio'

Para o jornalista Reinaldo Azevedo, que vem divulgando em parceria com o Intercept Brasil trechos do material recebido pelo site, "a valentia loquaz de Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, tem um limite: não desagradar ao governo Bolsonaro. E nisso ele encontra um parceiro e tanto: Sergio Moro", afirma

Reinaldo Azevedo, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Flavio Bolsonaro
Reinaldo Azevedo, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Flavio Bolsonaro (Foto: azevedo-moro-deltan-flavio)

247 - Para o jornalista Reinaldo Azevedo, que vem divulgando em parceria com o Intercept Brasil trechos do material recebido pelo site, "a valentia loquaz de Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, tem um limite: não desagradar ao governo Bolsonaro. E nisso ele encontra um parceiro e tanto: Sergio Moro", afirma.

De acordo com os diálogos revelados pelo The Intercept neste domingo (22), "um episódio ilustra a politicagem na força-tarefa de maneira constrangedora", aponta Azevedo.

O jornalista se refere ao convite do 'Fantástico', da TV Globo, recebido por Dallagnol para dar uma entrevista sobre o fim do foro especial para deputados e senadores. "A personagem principal da notícia, que receberia tratamento necessariamente negativo, dadas as circunstâncias, era o deputado Paulo Pimenta (RS), do PT", conta Azevedo, que lembra que o 'Fantástico' deixa claro que se vai falar também sobre Flávio Bolsonaro.

"Que coisa fabulosa! Segundo o coordenador da força-tarefa, 'o caso central é bom, envolvendo o Paulo Pimenta'. Ou por outra: bater num petista era uma vantagem e estava adequado à metafísica influente na turma. E, de fato, a mensagem enviada pela Globo, repassada por Dallagnol, deixa claro: 'suspeita contra o Pimenta será nosso principal case numa reportagem sobre os casos em que políticos perderam o foro, devido ao entendimento do Supremo de que a prerrogativa só existe para crimes cometidos durante o mandato e que dizem respeito ao mandato.' Mas aí acrescenta o jornalista (no caso, da RBS, filiada no Rio Grande do Sul): 'Citaremos também o caso F. Bolsonaro, que surgiu após o início da nossa apuração'. E aí Dallagnol treme nas bases", diz Azevedo.

"O risco é eles decidirem no fim focar no Flávio Bolsonaro e usarem nossas falas nesse outro contexto", teclou Dallagnol em seu celular.

"Nada disso lembra aquele procurador sempre valentão, que dava plantão nas redes sociais quando algo estava em votação no Supremo e que saía por aí tonitruando a sua moralidade impecável, posando, se necessário, de vítima", alfineta Azevedo, que também lembra das conversas publicadas no domingo em que os procuradores falam do comportamento de Sergio Moro depois que o caso Flávio Bolsonaro veio a público. 

Em dezembro de 2018, quando veio à tona o depósito de R$ 24 mil que Fabrício Queiroz fizera na conta de Michelle Bolsonaro, mulher do, à época, presidente eleito, "Moro, como sabemos, silenciou sobre o caso Fabrício. O paladino contra a corrupção enfiou o rabo da moralidade entre as pernas e preferiu fugir do assunto. Fez o mesmo também em outro caso que chega a ser vexaminoso: o de seu colega de ministério Marcelo Álvaro Antonio (Turismo) e o laranjal que o cerca", diz Azevedo.

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