Revolução dos tablets avança no Brasil

Chegada do iPad 2, da Apple, na madrugada da sexta-feira 27, agita mercado; pacote de desonerao fiscal do governo ter efeito nos preos, para baixo; doze fbricas, como Positivo, Samsung, LG e Motorola querem produzir tablets no Pas

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Gisele Federicce e Marco Damiani, 247 - A novíssima geração de tablets está chegando ao Brasil – e com todo o alarde. Na próxima sexta-feira, as lojas se preparam para receber centenas, talvez milhares de compradores, para o seu iPad 2, mais fino, leve e veloz que a primeira versão. Nos Estados Unidos, o sucesso de vendas levou ao esgotamento do produto nos revendedores autorizados. O mercado brasileiro tem tudo para repetir o fenômeno.

A moldura para o avanço na revolução dos tablets foi estabelecida na segunda-feira 23, pelo governo federal, ao ser baixada a Medida Provisória 534, que zera as alíquotas de PIS e Cofins. Os preços ao consumidor final poderão baixar em cerca de 30%. Assim, um tablet que hoje custa R$ 1.400,00 (iPad primeira versão, da Apple, com 16 Gb e tecnologia wi-fi) terá seu preço reduzido para R$ 980,00. Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros como a Multilaser, que está produzindo o Life, anunciam para a segunda quinzena de junho um tablet por menos de R$ 800 – e isso foi antes de ser anunciada a MP da redução dos impostos.

Nada menos que 12 fábricas de produtos eletrônicos já manifestaram ao Ministério da Ciência e Tecnologia interesse em aumentar a produção dos tablets atuais e, ainda, criar novos modelos para o mercado. O público terá, até o final do ano, mais de uma dezena de opções de tablets para escolher. O próximo passo do governo é definir as regras para a fabricação do aparelho no País, por meio do enquadramento dos tablets no Processo Produtivo Básico (PPB) como “microcomputador portátil, sem teclado físico, com tela sensível ao toque”, que está em fase de “ajustes finais” e exigirá um aumento nos percentuais de itens nacionais.

Isso será suficiente para um novo salto tecnológico, uma vez que a indústria nacional estará incentivada, por meio de benefícios fiscais, a incluir em seus tablets o maior número possível de componentes produzidos no País. Surge, concretamente, a perspectiva de desenvolvimento tecnológico, criação de milhares de empregos e abertura de inúmeras oportunidades aos consumidores.

Um dos maiores emblemas dessa verdadeira revolução é a chegada por aqui da Taiwanesa Foxconn, gigante produtora de tablets. O investimento, nos próximos cinco anos, deve girar em torno de R$ 12 bilhões, com a construção de uma nova fábrica no interior de São Paulo, e a geração de até 100 mil novos empregos. Enquanto isso, a paisagem urbana já vai se transformando com a presença desses aparelhos nas mãos de cada vez mais pessoas – e de todas as faixas etárias. A redução nos preços igualmente dará acesso a um público consumidor muito maior. Em 2010, foram vendidos cerca de 100 mil tablets no Brasil. O volume deve alcançar 400 mil unidades em 2011, segundo projeções do mercado.

Novos modelos a caminho

A Samsung lançará dois novos modelos de tablets no Brasil no próximo semestre. Eles farão parte da família Galaxy, da qual um aparelho de 7 polegadas já está à venda no País – que terá uma redução de R$ 100 no preço com a chegada dos novos. Em junho, chegará um tablet de 10.1 polegadas – o mais fino e mais leve aparelho do mercado – e o Galaxy Tab de 8.9 polegadas será lançado no mês seguinte. Os equipamentos terão o sistema móvel do Google, o Android Honeycomb, resolução de 1280×800 (igual ao Xoom e superior ao iPad), processador dual core, câmeras frontal e traseira (que filma em HD) e bateria de 10 horas de duração. Os aparelhos custarão entre R$ 1,5 mil e R$ 2, de acordo com suas configurações. A brasileira Positivo Informática também promete lançar sua linha de tablets no segundo semestre, que custarão menos de R$ 1.000.

A gigante japonesa Sony anunciou, no final de abril, detalhes de dois novos modelos que chegarão ao mercado em setembro no mundo todo, chamados de S1 e S2. Uma grande novidade será o tamanho do S2, que terá uma tela de 5.5 polegadas e será dobrável, prometendo uma portabilidade ainda maior. Outros modelos já anunciados são os da americana Dell – que informou que lançará três tipos diferentes de tablets ainda neste ano. A HP, a Semp Toshiba e a Itautec também estão na fila para entrar na concorrência do mercado.

Mudança de comportamento

A principal revolução trazida com os tablets vem da maior proximidade do usuário com o equipamento, por meio de um contato direto com a tela, e da portabilidade, favorecida pelo seu tamanho, pouco peso e duração de bateria. “Por não precisar de teclado, mouse e ter uma bateria de vida longa, ele pode ser usado praticamente em todo o lugar. Sem contar que ele tem tudo o que você precisa, seja ouvir música ou fazer uma apresentação corporativa”, afirma Almir Meira Alves, engenheiro e professor na FIAP, Faculdade de Tecnologia de São Paulo.

Não é à toa que o aparelho vem sendo adotado em escolas e empresas. Desde março deste ano, o Colégio Integral de Campinas, no interior de São Paulo, substituiu suas apostilas impressas por iPads. Os alunos levam os aparelhos para casa quando fazem a matrícula e, ao final do ano letivo, podem ficar com o tablet, se estiver em dia com o pagamento. Se por um lado os aparelhos tecnológicos são inimigos da escola – muitas proíbem inclusive o uso de celulares –, ao tomar a atenção que deveria ser dedicada ao professor, podem ser utilizados como meio de atrair os alunos. “Em um país que possui um grande déficit na leitura, o tablet pode ser usado para aproximar jovens desse hábito, pois torna a atividade muito mais divertida”, acredita Alves.

O professor acredita que a utilização do aparelho deverá ser ainda mais difundida no País com a nova MP do governo federal, que reduzirá seu preço em até 31%. “Num primeiro momento, a adoção dos equipamentos em ambientes como a escola ficará acessível apenas a quem tiver mais renda, pois se trata de um produto de luxo, mas com um preço mais acessível no mercado, ele se tornará um produto de massa”, diz.

Apesar de trazer tantas mudanças, os tablets não substituirão completamente os computadores, na visão de Alves. Segundo ele, os notebooks serão responsáveis por alguns trabalhos específicos, mas os usuários muito provavelmente continuarão a ter as duas máquinas.

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