Safatle: 'sr. Jair Messias, nossa bandeira será vermelha'

O filósofo Vladimir Safatle aponta a disputa de significações acerca da cor vermelha como um sintoma do medo bestial que se alastra por governos não soberanos; Safatle vai até o século 18, na Revoluçao Francesa, para explica que até ali, os significados da bandeira vermelha foram disputados e que prevaleceu, como sói acontecer na história, o significado popular e coletivo; o filósofo se dirige diretamente a Bolsonaro para dizer: "por isso, sr. Jair Messias, nossa bandeira ainda será vermelha"

Safatle: 'sr. Jair Messias, nossa bandeira será vermelha'
Safatle: 'sr. Jair Messias, nossa bandeira será vermelha'

247 - O filósofo Vladimir Safatle aponta a disputa de significações acerca da cor vermelha como um sintoma do medo bestial que se alastra por governos não soberanos. Safatle vai até o século 18, na Revoluçao Francesa, para explica que até ali, os significados da bandeira vermelha foram disputados e que prevaleceu, como sói acontecer na história, o significado popular e coletivo. O filósofo se dirige diretamente a Bolsonaro para dizer: "por isso, sr. Jair Messias, nossa bandeira ainda será vermelha."

Em seu artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, Safatle introduz o tema com a densidade e estilo habituais: "um fantasma assombra o Brasil, o fantasma da bandeira vermelha. O lema "a nossa bandeira jamais será vermelha" não esperou o sr. Jair Messias para despertar do pântano gélido dos medos da República. Já o sr. Collor terminava seus discursos de punho cerrado garantindo que ele estava lá para que o verde, o amarelo, o azul e o branco continuassem a se inscrever nos céus da nossa pátria. Obrigado, Collor, a história lhe agradece. Como todos sabemos, foi realmente um grande trabalho."

E prossegue: "mas é fato que o medo da bandeira vermelha tem origens que não escondem suas verdadeiras razões. Ela remonta à Revolução Francesa ou, para ser mais exato, a uma lei de 21 de outubro de 1789 autorizando as municipalidades a hastear a bandeira vermelha para indicar que as massas deveriam se dispersar diante do que seria uma ameaça à 'ordem social'."

Safatle ainda destaca a questão do medo: "hoje, em 2019, o medo da bandeira vermelha ainda está na pauta do dia —e isso diz muito a respeito de como o poder não aprendeu nada nesses últimos 200 anos. Não é contra o uso da bandeira vermelha feito por Estados burocráticos totalitários que ele se volta. É contra o seu significado originário e seu sinal de insubmissão."

E conclui, com provocação especular: "por isso, sr. Jair Messias, nossa bandeira ainda será vermelha."

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