"Ser negro no Brasil significa sentir medo, muito medo", diz Jones Manoel

O youtuber Jones Manoel denuncia a situação do negro no Brasil e conta um relato pessoal sobre violência policial que ele vivenciou aos 16 anos

Jones Manoel
Jones Manoel (Foto: Reprodução)
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247 - O youtuber negro Joens Manoel disse, em publicação no Twitter, nesta sexta-feira, 20, que “ser negro no Brasil significa sentir medo, muito medo”. Ele conta que ser um negro brasileiro “é desde os 11 anos de idade, andar com RG no bolso com medo de ser parado pela PM. É ouvir a sirene de uma viatura e sentir o coração disparar. É tá num lugar com muito playboy e sentir medo de ser atacado. É medo”.

“É entrar num lugar e o segurança ficar te acompanhando e saber que você pode, a qualquer momento, ser acusado de roubo ou "confundido" com alguém e apanhar ou levar uns tiros. É não andar na rua de noite de boas, imaginado que pode encontrar a polícia e ser arregaçado”, continua.

O youtuber ainda conta uma experiência pessoal sobre violência policial racista. “Eu lembro como se fosse hoje do dia que estava no vídeogame com amigos, a PM chegou para fazer revista, mandou todo mundo sair devagar e com a mão na cabeça e aí deu uma coronhada nas minhas costas que eu cai e gritei muito. Fiquei 9 dias com dores nas costas e a região inchada”, conta.

“Eu poderia ter ficado paraplégico. Um golpe nas costas pode causar isso. Entraria para uma cadeira de rodas com 16 anos. E sabe o que aconteceria? Um grande nada. No máximo, uma ou outra notícia na mídia, e só. Talvez não estivesse nem vivo mais se isso tivesse acontecido”, denuncia.

Jones aproveita e dá um recado para as pessoas que o chamam de violento: “acho importante lembrar disso. Especialmente vocês, que adoram dizer que pessoas como eu são violentos, agressivos, autoritários etc. Vocês, no seu mundo branco, não sabem o que é esse medo onipresente e onisciente. E eu espero que nunca saibam. Não é uma sensação boa”.

“Tento manter o mínimo de preparo físico, também, para situações como essa. No dia que a hora chegar, no mínimo, quero dar trabalho. Todo dia podemos ser vítima. E eu não quero ser vítima. Eu quero ser algoz dos que vitimizam meu povo. E não abro mão do meu ódio de classe e raça!”, reforça.

Segundo ele, este ódio é “justo, necessário, imprescindível. É necessário odiar, odiar muito, essa lógica social, esse capitalismo dependente racista, que coloca um alvo em nossa testa e todo dia grita: hoje pode ser o seu dia”.

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