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“Somos um povo honrado governado por ladrões”

Escrita por Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa, a manchete acima desencadeou os acontecimentos que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas. Tendo Lula como alvo, a retórica violenta está de volta aos meios de comunicação, como no texto de Augusto Nunes, que diz que o ex-presidente morrerá sem saber o que é ter vergonha na cara; afinal, retornamos aos anos 50? Quais serão as consequências?

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247 – Antes de se transformar no Augusto Nunes atual, caricatura do que um dia foi no passado, o Augusto Nunes original redigiu a autobiografia de Samuel Wainer, a partir de seus depoimentos. Intitulado “Minha razão de viver”, o livro narra as peripécias do jornalista que revolucionou a imprensa brasileira na década de 50, contando com o apoio do ex-presidente Getúlio Vargas para criar a sua Última Hora.

Getúlio incentivou o desenvolvimento de uma imprensa de cunho popular porque era o alvo preferencial daquilo que hoje chamam de PIG (Partido da Imprensa Golpista) – organização que, nos anos 50, era comandada por Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa.

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Em 2 de agosto de 1954, Lacerda publicou a mais ousada de suas manchetes: “Somos um povo honrado governado por ladrões”. Vinte e dois dias depois, após um atentado contra Lacerda que acirrou ainda mais os ânimos, Getúlio se matou com um tiro no peito.

Essa retórica agressiva está de volta à imprensa brasileira. O ex-presidente Lula passou a ser tratado por alguns meios de comunicação como criminoso, sobre quem paira a ameaça de um processo judicial, e seis partidos políticos redigiram uma nota condenando o golpismo da imprensa e comparando a situação atual à dos anos 50.

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Em resposta, Augusto Nunes, de Veja.com, escreveu um artigo dizendo que a comparação entre Lula e Getúlio insulta a memória do presidente suicida, mas não é exagero comparar seu estilo ao de Lacerda. No texto, Nunes afirmou que Lula, ao contrário de Getúlio, morrerá sem saber o que é ter vergonha na cara.

Paradoxalmente, o biógrafo de Samuel Wainer se transformou num arremedo de Carlos Lacerda.

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(Leia, aqui, texto de Alzira Alves de Abreu, publicado pelo CPDOC, da FGV, que fala sobre a relação entre Getúlio e a imprensa. E também o texto de Sérgio Domingues sobre o comportamento dos meios de comunicação até o golpe de 1964)

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