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Mídia

Speedy derruba milhões; para Telefonica, "alguns"

Quebra de conexo de banda larga afetou capital, litoral e interior de So Paulo; espanhis faturam alto sobre 3,5 milhes de clientes; comunicado da empresa de Antonio Carlos Valente trata usurios como alguns, contraditrio e superficial

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247 - Até parece notícia velha, mas o pior é que, além de nova, é recorrente. Mais uma vez, a Telefonica não cumpriu seus compromissos com os usuários do serviço de internet Speedy e patrocinou um apagão cujas proporções ainda estão sendo medidas. Com uma base de 3,5 milhões de clientes, o Speedy deixou de funcionar, ontem, a partir das 17h45, na capital, litoral e interior de São Paulo. Ou seja, em todo o mais populoso Estado do País. Na verdade, o serviço já vem funcionando precariamente há vários dias, pelo menos desde a última quinta-feira, o que impediu que milhares de pessoas tivessem acesso a sites hospedados fora do Brasil (é o caso, por exemplo, de praticamente todos os aplicativos jornalísticos disponíveis no iPad, incluindo o do Brasil 247).

“Após a volta da conexão, usuários enfrentaram lentidão para navegar na rede e não conseguiam se conectar em sites internacionais”, relata o jornal Folha de S. Paulo, que, assim como outros órgãos de comunicação, destacam o apagão em suas edições de hoje. Usuários de tablets igualmente tiveram problemas para fazer e manter suas conexões.

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A Telefonica limitou-se a informar que o problema – estações de rádio que teriam sofrido panes – foi sanado às 18h30. Falso. Até por volta da meia-noite havia extrema dificuldade para se fazer e manter conexões na banda larga. Num simples comunicado, a Telefonica procurou minimizar o problema, considerando os milhões de clientes afetados como “alguns”. Uma inversão que demonstra toda a desconsideração da companhia espanhola, que remete anualmente lucros bilionários para sua matriz, em relação ao cliente brasileiro. No texto curto e distorcido, a empresa afirma que, por volta das 17h45 da segunda 13, "detectou instabilidade de dois equipamentos responsáveis pela saída internacional de internet, impedindo que alguns clientes do Speedy tivessem acesso a sites hospedados fora do Brasil". Alguns! Em seguida, registrou que "alguns usuários podem encontrar dificuldades para acessar a internet devido ao grande volume de usuários que, ao mesmo tempo, desligaram e voltaram a acionar seus modems". Além de mal escrito, outra vez o textinho tenta falsear os fatos e, mais, transferir a responsabilidade que é da companhia para os usuários, que estavam tentando “acionar os seus modems”. E se eram “alguns usuários”, como, poucas palavras depois, se tornaram em “grande volume de usuários que, ao mesmo tempo, desligaram e voltaram a acionar os seus modems”? Esse comunicado quer enganar a quem? Resposta: a quem paga pelo Speedy e não recebe o serviço contratado.

Como disse o rei espanhol Juan Carlos para o ditador Hugo Chávez, ao mandar um direto “porque não te calas?”, com desculpas contraditórias como essa, o melhor que a Telefonica faria ser ficar quieta ou, o que parece impossível à companhia, dizer a verdade. Nada mais que a verdade ao seu usuário.

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O problema, no caso de mostrar realmente o que acontece nos bastidores da companhia, é que a Telefonica teria, então, de apresentar sua planilha de baixos investimentos no serviço de Speedy – e seu compromisso muito mais verdadeiro com o lucro e sua remessa para o exterior do que com a prestação de um bom serviço de banda larga no Brasil.

Como lembra a Folha de hoje, o Speedy dá problemas desde 2008, quando clientes corporativos e residenciais chegaram a ficar até 24 horas seguidas sem conexão. Nos últimos tempos, praticamente todos os dias há instabilidade no sistema. Na ocasião, a Telefonica anunciou investimentos de R$ 70 milhões para corrigir o sistema. Não deve ter feito isso. Se fez, fez mal feito, tanto que, agora, estão consolidadas entre os usuários a incerteza e a insegurança quanto a qualidade do serviço.

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Quando irá surgir um novo problema? Essa é a pergunta que, para contrariar o rei dos espanhóis, não quer calar.

Com sua falta de transparência e aberto descaso com “alguns usuários”, na verdade milhões, a Telefonica é um verdadeiro caso de polícia, ou, em primeira instância, de Procon. Afinal, alguém tem de proteger o público da companhia, na prática dona de um monopólio que, prova está no apagão, não mostra condições de gerenciar. Não por menos, a Telefonica e seu Speedy chegaram, ontem, a despontar entre os Trending Topics do Twitter (onde ainda continuam), sempre com referências que atingem diretamente sua tão cara imagem.

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