Stédile faz críticas ao PT, mas defende voto em Dilma

Para o coordenador do MST, modelo “neodesenvolvimentista” era um programa para que todos ganhassem, “mas os bancos, as construtoras e o agronegócio foram os que mais ganharam”; líder camponês afirma que falta reforma agrária, educação de qualidade, valorização dos professores e redução da jornada de trabalho para 40 horas; ainda assim, afirma que a vitória de Aécio Neves seria trágico “para a imensa maioria do povo”, com a hegemonia do capital financeiro, das empresas transnacionais e do agronegócio; Stédile diz que democracia foi seqüestrada por 117 empresas que financiaram a eleição de um Congresso altamente conservador

Para o coordenador do MST, modelo “neodesenvolvimentista” era um programa para que todos ganhassem, “mas os bancos, as construtoras e o agronegócio foram os que mais ganharam”; líder camponês afirma que falta reforma agrária, educação de qualidade, valorização dos professores e redução da jornada de trabalho para 40 horas; ainda assim, afirma que a vitória de Aécio Neves seria trágico “para a imensa maioria do povo”, com a hegemonia do capital financeiro, das empresas transnacionais e do agronegócio; Stédile diz que democracia foi seqüestrada por 117 empresas que financiaram a eleição de um Congresso altamente conservador
Para o coordenador do MST, modelo “neodesenvolvimentista” era um programa para que todos ganhassem, “mas os bancos, as construtoras e o agronegócio foram os que mais ganharam”; líder camponês afirma que falta reforma agrária, educação de qualidade, valorização dos professores e redução da jornada de trabalho para 40 horas; ainda assim, afirma que a vitória de Aécio Neves seria trágico “para a imensa maioria do povo”, com a hegemonia do capital financeiro, das empresas transnacionais e do agronegócio; Stédile diz que democracia foi seqüestrada por 117 empresas que financiaram a eleição de um Congresso altamente conservador (Foto: Realle Palazzo-Martini)
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247 - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, defende a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e diz que uma eventual vitória do senador Aécio Neves (PSDB-MG) representaria o para o país o retorno ao neoliberalismo. O apóie não significa que o líder camponês aprove cegamente o governo do PT. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Stédile afirma que ainda falta universalizar do acesso dos jovens à universidade, zerar o déficit de 8 milhões de moradias a fazer a reforma agrária.

O coordenador do MST diz que a vitória de Aécio seria trágico “para a imensa maioria do povo”, com as hegemonias do capital financeiro, das empresas transnacionais e do agronegócio. Nesses temas, aliás, o gaúcho não poupa críticas ao projeto “neodesenvolvimentista” de 12 anos de governos do PT: “Os principais limites do neodesenvolvimentismo é que ele era um programa para que todos ganhassem. Mas os bancos, as construtoras e o agronegócio foram os que mais ganharam.”

Ácido, diz ainda que a democracia brasileira foi sequestrada por um grupo de 117 empresas que financiaram a eleição de um Congresso Nacional ainda mais conservador do que o atual.

Confira abaixo os principais tópicos da entrevista de João Pedro Stédile:

ELEIÇÕES

“Se o Aécio ganhasse seria uma tragédia para a imensa maioria do povo. Na economia seria a hegemonia do capital financeiro, das empresas transnacionais e do agronegócio. Nas políticas sociais seria a volta da prática de que o mercado é que resolve, a volta do Estado mínimo, como foi nos governos de FHC e no governo Aécio em Minas. Viria assim uma desvalorização dos salários e das conquistas, além de um controle direto da direita no poder judiciário e na mídia, aumentando a repressão sobre os movimentos sociais. Na política externa, seria o realinhamento subordinado aos Estados Unidos e o desmantelamento do Mercosul, da Unasul e Celac. Por isso não há menor dúvida, para defender os interesses da classe trabalhadora, é preciso derrotar a candidatura Aécio Neves.”

MUDANÇA

“O povo quer mudanças, mas mudanças para melhorar de vida. Mudanças para que o Estado assuma com maior determinação a solução dos problemas do povo. Nós temos ainda muitos desafios, como a universalização do acesso dos jovens à universidade.”

DESAFIOS

“Os governos Lula e Dilma dobraram o acesso de 6 para 15% da população jovem, porém é preciso pensar nos outros 85%. Há ainda 8 milhões de déficit de moradias dignas. Falta reforma agrária, falta educação de qualidade e valorização dos professores do ensino médio. Queremos a redução da jornada de trabalho para 40 horas.”

NEODESENVOLVIMENTISMO

“Os principais limites do neodesenvolvimentismo é que ele era um programa para que todos ganhassem. Mas os bancos, as construtoras e o agronegócio foram os que mais ganharam. A dependência da economia ao capital internacional impediu que o governo tivesse forças para controlar a taxa de juros e a taxa de câmbio e fizesse uma reforma tributária para que as grandes fortunas e os ricos pagassem a conta. Um governo de composição de classes até pode dar certo eleitoral e politicamente, mas não consegue ter forças para fazer as reformas estruturais, nas quais as classes proprietárias percam parte de seus privilégios. E foi isso que aconteceu.”

SEQUESTRO DA DEMOCRACIA

"O novo Congresso foi resultado daquilo que chamamos de sequestro da democracia brasileira por 117 empresas, que gastaram R$ 4 bilhões para financiar seus candidatos e os elegeram."

REFORMAS

"É preciso colocar em primeiro lugar a reforma política que vai mexer em todo o sistema, e não apenas no financiamento das campanhas ou das listas de candidatos. Vai mexer também no Congresso, no judiciário e nos meios de comunicação. O caminho para isso é necessariamente uma assembléia constituinte, que teria que ser aprovada por meio de um plebiscito legal."

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