STF segue o fluxo medíocre da violência institucional

O linguista, músico e professor Gustavo Conde, colunista do 247, escreve sobre a tristeza e a vergonha de ser ter uma Suprema Corte tão omissa e acovardada diante do horror institucional que se apoderou do Brasil; Conde cita o artigo do jornalista Janio de Freitas, igualmente tomado pela cena vexatória de o Brasil ser condenado pela segunda vez seguida pela Corte Internacional de Direitos Humanos diante do caso ainda em aberto da execução violenta do jornalista Vladimir Herzog, em 1976, assassinado nas dependências do Dops (Departamento de Ordem Política e Social do regime militar)

STF segue o fluxo medíocre da violência institucional
STF segue o fluxo medíocre da violência institucional

247 - O linguista, músico e professor Gustavo Conde, colunista do 247, escreve sobre a tristeza e a vergonha de ser ter uma Suprema Corte tão omissa e acovardada diante do horror institucional que se apoderou do Brasil. Conde cita o artigo de Janio de Freitas, igualmente tomado pela cena vexatória de o Brasil ser condenado pela segunda vez seguida pela Corte Internacional de Direitos Humanos diante do caso ainda em aberto da execução violenta do jornalista Vladimir Herzog, em 1976, assassinado nas dependências do Dops (Departamento de Ordem Política e Social do regime militar). 

Leia o post de Gustavo Conde na íntegra, originalmente publicado em seu Facebook:

Chega a ser perturbador como o ‘governo’ golpista nos faz entender muito melhor e vivenciar de maneira muito mais intensa o que foi o horror do regime militar brasileiro. Chega mesmo a confundir.

O governo Temer é muito pior que o 'governo' do regime militar, isso está claro. Mas o o medo de se viver em um regime arbitrário e explicitamente violento, invasivo e fascista, não foi simples de ‘experimentar’ com tamanha precisão em tempos de democracia mais ou menos estabelecida, como foram as décadas de 90 e 2000.

Parêntese: Isso pode favorecer a dicção da pesquisa historiográfica sobe o período, já que os pesquisadores jovens poderão restituir as cifras de terror que tomaram conta do Brasil entre 1964 e 1985 e que voltam agora, turbinadas pelo nosso mais violento golpe, dentre tantos golpes que tivemos - e ainda vamos ter; é cultural.

A sensação de medo e autoritarismo vem em mente quando se lê que a Corte Internacional de Direitos Humanos condena o Brasil pela segunda vez no caso do assassinato por execução brutal do jornalista Vladimir Herzog.

O jornalista Janio de Freitas, uma das últimas ‘reservas profissionais’ do jornal Folha de S. Paulo, alerta para essa condenação, hoje, em sua coluna. É uma vergonha e é uma situação muito embaraçosa para o STF e o Exército. Continua sendo uma situação vexatória, por assim dizer, desde 1976.

Quem não viveu a ditadura brasileira na pele tem essa chance ‘histórica’ de entender o que foi aquilo, ainda que o presente seja bem pior e bem mais violento.

Ver Herzog ainda como um cadáver insepulto, com tudo o que ele significa (era um jornalista sério e independente como Janio de Freitas), é realmente uma sensação de terror. A vergonha doméstica e internacional atinge níveis inéditos de humilhação moral.

Qual vergonha de ser ter uma suprema corte dessa natureza covarde? Qual vergonha de se ter uma imprensa omissa, que terceiriza sua indignação para um e apenas um jornalista que não se vendeu (Janio de Freitas)? Qual vergonha de assistir a sanha fascista de odiadores profissionais do PT exterminarem uma democracia frágil e delicadamente construída a duras, torturadas e assassinadas penas?

O STF, em sua contundente omissão conceitual aliada à síndrome da dependência (eles ‘aderem’ ao governo golpista de turno, sempre), enoja. Diante deste infame tribunal, capitulamos toda e qualquer soberania espiritual possível.

Diante deste infame tribunal [repito], o país ruma impávido ao limbo internacional e à auto destruição social. Coniventes, covardes, submissos, subservientes, entreguistas e tecnicamente fracos, com destaque invulgar para Cármen Lúcia. Tribunal dos horrores.

Óbvio que a solução não é 'dissolvê-lo', como pensaria o simplismo habitual que ronda o debate público brasileiro. A solução é eleger um governo legítimo.

Esse é o nó do nosso mergulho na obscuridade gerencial de Temer e PSDB: o STF segue o fluxo da mediocridade violenta, como seguiu o fluxo da violência medíocre. Codificar o seu modus operandi é a chave para mais uma – e talvez, a última – tentativa de restituir alguma dignidade a um país em estado terminal.

Acesse aqui, o Facebook do linguista e colunista do 247.

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