The Economist destaca atuação de Galípolo após colapso do banco Master
Revista britânica afirma que presidente do Banco Central saiu fortalecido ao resistir a pressões políticas em meio à maior crise bancária recente do país
247 - O colapso do banco Master revelou um escândalo que ultrapassou o sistema financeiro e alcançou o centro do poder em Brasília, ao expor relações entre banqueiros, políticos e integrantes do Judiciário. A análise foi publicada pela revista britânica The Economist e repercutida no Brasil pelo jornal O Globo, com destaque para o impacto institucional da crise.
Segundo a The Economist, o episódio provocou um abalo significativo na confiança nas instituições brasileiras, mas também evidenciou a importância da atuação firme do Banco Central. A revista ressaltou que, diante de pressões incomuns, a autoridade monetária manteve sua postura técnica e independente ao decidir pela liquidação do banco.
A crise teve início, de acordo com a publicação, na gestão do empresário Daniel Vorcaro, que assumiu o comando do banco Master em 2019. O banco cresceu rapidamente oferecendo certificados de depósito com juros excepcionalmente altos, enquanto Vorcaro levava uma vida de luxo, até que se revelou a fragilidade financeira da instituição.
As investigações mostraram que o banco não dispunha de liquidez e havia comercializado ativos sem valor econômico relevante por bilhões de dólares. A situação ficou clara quando o Master tentou ser vendido ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que fracassou e expôs a dimensão do problema.
Com a quebra, o maior impacto financeiro recaiu sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que deverá desembolsar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para ressarcir os depositantes, a maior indenização desse tipo já registrada no Brasil, segundo a revista.
Nesse contexto, a The Economist destacou de forma positiva a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. De acordo com a publicação, ele saiu fortalecido ao resistir às pressões de parlamentares e órgãos de controle que questionaram a liquidação do banco, defendendo a autonomia da autoridade monetária e reforçando a credibilidade do Banco Central em meio à crise.