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Tijolaço: Bolsonaro ‘combate’ o desemprego demitindo a estatística

"O presidente parece ter problemas cognitivos, sérios. E problema pior tem para encarar a realidade e adotar políticas que gerem empregos, em lugar de criar estatísticas que escondam o desemprego", avalia o jornalista Fernando Brito, ao comentar as declarações do presidente Jair Bolsonaro, que criticou a metodologia do IBGE para calcular o desemprego do País, que hoje atinge 13 milhões de brasileiros 

Tijolaço: Bolsonaro ‘combate’ o desemprego demitindo a estatística

Por Fernando Brito, do Tijolaço - Jair Bolsonaro parece aqueles que pretendem acabar com as sem-vergonhices tirando o sofá da sala.

Lá de Jerusalem, numa entrevista à TV Record – amigo é pra essas coisas – respondeu ao aumento do desemprego registrado na sexta-feira pelo IBGE   dizxendo que a metodologia, embora siga padrões internacionais, está errada.

Diz ele que as pessoas que recebem Bolsa-Família e auxílio-reclusão são contadas como empregadas e que a taxa sobe porque a economia está melhorando e as pessoas que tinham desistido de procurar emprego passaram a procurar e, assim, entram na conta dos desempregados.

O sr. Bolsonaro fala asneiras de cabo a rabo.

Receber ou não receber Bolsa-Família não entra na estatística nem para ter nem para não ter emprego, o que entra é estar empregado, procurando procurando emprego ou ter desistido de procurar.

A segunda explicação de Bolsonaro é pior ainda. O número das pessoas que nem sequer está procurando emprego, os desalentados, não só não diminuiu com a tal “melhora na economia” que só ele vê, como, ao contrário, aumentou. Bateu seu recorde histórico: chegou a quase cinco milhões e é 6% maior que o registrado em dezembro-janeiro-fevereiro de 2018.

O presidente parece ter problemas cognitivos, sérios.

E problema pior tem para encarar a realidade e adotar políticas que gerem empregos, em lugar de criar estatísticas que escondam o desemprego.

Quem sabe, por exemplo, começa a agir, por exemplo, evitando que as construtoras demitam 50 mil operários que trabalham no que resta do “Minha Casa, Minha Vida”, na iminência de serem postos na rua porque o Governo não honra os contratos?