Tijolaço: Empresas sobem o tom contra Moro. Vai recuar?

Depois da Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS dão sinais de que também vão reagir à ofensiva do juiz Sérgio Moro; "É possível que Moro contasse com um efeito político maior da prisão de Marcelo Odebrecht e talvez tenha se surpreendido com a disposição do empresário e da empresa em “bancar” o enfrentamento", diz Fernando Brito; ele aposta que juiz vai dar um passo atrás, até encontrar algum apoio para ir aonde quer ir

O juiz federal Sergio Moro, responsavel pela operacao Lava-a-Jato da Petrobras, fala para estudantes de Direto da UFPR.
O juiz federal Sergio Moro, responsavel pela operacao Lava-a-Jato da Petrobras, fala para estudantes de Direto da UFPR. (Foto: Roberta Namour)

Por Fernando Brito

Há uma mudança de comportamento nas partes em disputa na Operação Lava-Jato.

Depois da Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS dão sinais de que também vão reagir à ofensiva do juiz Sérgio Moro.

Segundo Sonia Racy, do Estadão, a primeira vai publicar um comunicado nos jornais onde, segundo ela, a empresa “considera inadmissíveis as prisões com base em presunções genéricas e depoimentos inverídicos.”

E “peita” a República de Curitiba, desqualificando as alegações da acusação, a que chama de “frágeis”.

E a OAS , por seus advogados, endurecei o jogo, chamando Moro de “justiceiro” e parcial, acusaram os procuradores de usar “provas ilícitas” e aformam que está criado um cenário de “condenação antecipada” para os cinco executivos da empresa que são réus, segundo a Folha.

Moro, por sua vez, sabe que suas ordens de prisão se sustentam menos que por seus fundamentos jurídicos e mais pelo receio dos juízes dos tribunais superiores de serem expostos à exibição como “defensores de empreiteiros” e “coniventes com a corrupção”.

Mas isso tem – e Moro sabe disso – um limite. Que já foi, ao que parece, levado ao extremo.

É possível que Moro contasse com um efeito político maior da prisão de Marcelo Odebrecht e talvez tenha se surpreendido com a disposição do empresário e da empresa em “bancar” o enfrentamento.

Infelizmente, o que deveria ser um processo judicial tornou-se, de forma evidente e escandalosa, um processo político.

Se Moro vai recuar e adotar novos métodos – que não sejam o encarceramento até forçar a delação premiada – ou se vai, ao contrário, radicalizar ainda mais suas atitudes, é uma incógnita.

Minha opinião? Vai dar um passo atrás, até encontrar algum apoio para ir aonde quer ir.

A Lula.

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