Vladimir Sacchetta morre aos 75 anos em São Paulo
Jornalista e pesquisador dedicou a vida à preservação da memória política, cultural e operária do Brasil
247 - O jornalista, escritor, produtor cultural e pesquisador Vladimir Sacchetta morreu nesta sexta-feira (15), aos 75 anos, em São Paulo. Reconhecido por seu trabalho de preservação da memória política e cultural brasileira, ele construiu uma trajetória marcada pela documentação das lutas democráticas, do movimento operário e da resistência à ditadura militar.
A informação foi divulgada originalmente pela Agência Brasil. Ao longo de décadas, Sacchetta se destacou por registrar episódios centrais da história recente do país, especialmente as greves operárias do ABC paulista e a atuação de militantes revolucionários brasileiros, entre eles Olga Benário.
Com atuação multifacetada, Vladimir Sacchetta também deixou contribuição importante para a literatura e a pesquisa histórica. Ele participou de duas obras premiadas com o Jabuti: a edição póstuma de um trabalho de Florestan Fernandes e o livro Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, escrito em parceria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Defesa da memória democrática
Nos últimos anos, o pesquisador concentrou esforços em iniciativas voltadas à preservação documental e histórica. Entre os projetos dos quais participou estão o Memorial da Democracia, ligado ao Instituto Lula, e trabalhos de resgate da chamada imprensa alternativa, desenvolvidos em colaboração com o Instituto Vladimir Herzog.
Em nota oficial, o Instituto Vladimir Herzog destacou a relevância da atuação de Sacchetta para a história política brasileira. “Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, afirmou a entidade.
Além do trabalho acadêmico e jornalístico, Sacchetta também participou de iniciativas voltadas à valorização da cultura popular brasileira. Ele esteve entre os fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, organização dedicada à defesa das tradições culturais nacionais.
Atuação no movimento operário
Sacchetta mantinha ainda uma relação próxima com o Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), onde atuava como conselheiro. Segundo a instituição, ele permaneceu ativo nas atividades do centro até poucos dias antes de sua morte.
Em nota de pesar, o Cemap ressaltou a importância de sua contribuição intelectual e política. “O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, declarou a entidade.
O legado de Vladimir Sacchetta atravessa diferentes áreas da cultura e da pesquisa histórica brasileira, especialmente na documentação de movimentos sociais, da imprensa independente e da resistência democrática.
Velório será realizado neste sábado
Vladimir Sacchetta deixa dois filhos e um neto. O velório será realizado neste sábado (16), na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.
