HOME > Mundo

24 anos da agressão da Otan: Iugoslávia foi bombardeada pelo bem dela?

Os sérvios sobreviveram a 78 dias de bombardeios, escondidos em abrigos enquanto forças da Otan atacaram ferrovias, pontes, fábricas e hospitais

Imagens da destruição causada pela Otan na Iugoslávia (Foto: Reuters)

Sputnik Brasil - No dia 24 de março de 1999, sem aprovação do Conselho da Segurança da ONU, as forças da Otan lançaram uma intervenção militar contra a Iugoslávia que durou 78 dias.

Naquele ano, Vaclav Havel, então presidente da República Tcheca justificava a ação da seguinte forma: "Ataques e bombas não são provocados por um interesse material. Seu caráter é exclusivamente humanitário: o que está aqui em jogo são os princípios, os direitos humanos, aos quais é concedida uma prioridade que passa mesmo antes da soberania estatal". 

A fim de derrubar o então presidente da República Federal da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, a Aliança Atlântica começou a guerra no centro da Europa. De acordo com advogados sérvios, durante sua agressão, a Otan lançou pelo menos dez toneladas de urânio empobrecido na Iugoslávia.

Os sérvios sobreviveram a 78 dias de bombardeios, escondidos em abrigos. Forças da Otan atacaram ferrovias, pontes, fábricas e hospitais. Em 23 de abril, bombas atingiram o centro nacional de televisão em Belgrado e mataram 16 funcionários.

Tony Blair, ex-primeiro-ministro da Reino Unido, disse à época: "A guerra contra os sérvios não é apenas um conflito militar. Esta é uma batalha entre o bem e o mal, entre a civilização e a barbárie". 

Em 7 de maio, as munições de alta precisão da Otan atingiram a embaixada da China na cidade de Nis, deixando três mortos e cerca de 20 feridos. Então presidente norte-americano Bill Clinton expressou "mais profundas condolências aos líderes e ao povo da China".

Seis dias após ataque à embaixada chinesa, o ataque contra a vila de Korisa matou um comboio de quase 90 refugiados albaneses, inclusive crianças e mulheres, que se tornaram mais um "dano colateral" na operação da Otan, cujo objetivo principal era a proteção deles.

Até agora não há dados oficiais finais sobre números exatos de vítimas entre a população civil. No entanto, o governo da Sérvia afirma que foram ao menos 2.500 mortos e 6.000 feridos.