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A China comunista é inimiga do “mundo livre” e do Brasil?

O conselheiro político da Embaixada da China no Brasil, Jia Chen, refuta em artigo as teses de autoridades estadunidenses, que acusam seu país de ser uma ameaça ao "mundo livre". No texto, o diplomata também defende o desenvolvimento de boas relações com o Brasil

Bandeira da China. Foto: Nagyman China's Red Beacon/Flickr/Creative Commons (Foto: Reinaldo)

247 -  "No dia 24 de julho, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fez um discurso na Biblioteca Presidencial Richard Nixon, Califórnia, determinando a China Comunista como 'Inimiga do Mundo Livre'. 'O Partido Comunista da China (PCCh) não só atua de forma cada vez mais autoritária na China, mas também mais hostil à liberdade das outras partes do mundo'. Ele seguiu citando o presidente Trump, 'Basta, o mundo livre tem que acabar com a nova tirania!' ”, escreve Jia Chen, conselheiro político da Embaixada da China no Brasil.

[...] "Não obstante as pioras recentes das relações entre a China e os EUA sob a administração de Trump, fiquei surpreso ao assistir à retórica do Sr. Pompeo. Para a nova geração crescida após a queda do Muro de Berlim, essa narrativa é parecida até mesmo com uma renascença de certos episódios que hoje só existem nos livros de história. Tendo vivido à Reforma e Abertura da China e a evolução das relações sino-americanas de confrontamento total a maiores parceiros comerciais do mundo, estou realmente confuso. O PCCh que conduziu a China do fechamento à abertura, do isolamento absoluto a um grande país responsável e sempre defensor da paz mundial, de repente se tornou 'Inimigo do Mundo Livre' "? - questiona o diplomata chinês.

Comentando as relações com o Brasil, o conselheiro político da Embaixada chinesa escreve: "Durante quase meio século desde o estabelecimento da relação diplomática entre os dois países, a diferença ideológica nunca causou problemas significativos para o crescimento das relações de cooperação e amizade entre os dois países. Tal como outros países membros do 'Mundo Livre', o Brasil abriu os braços à China aberta, o que tem beneficiado efetivamente ambos povos, graças à expansão impressionante da cooperação bilateral".

"Vale a pena mencionar que, em paralelo à consolidação das relações entre os dois países, o PCCh vem cultivando relações amistosas e troca de visitas com diversos partidos políticos brasileiros tanto de esquerda quanto de centro e de direita. Igualdade completa, respeito mútuo e não intervenção nos assuntos internos são princípios fundamentais na manutenção de relações internacionais do PCCh. O objetivo dessas relações é simples e inequívoco – aprofundar o conhecimento mútuo e catalisar o reforço das relações entre os países".

Leia a íntegra em Resistência.