A estranha lógica de Franco

Levado ao poder após um golpe constitucional, o presidente paraguaio Federico Franco questiona a presença do “ditador” eleito Hugo Chávez no Mercosul

A estranha lógica de Franco
A estranha lógica de Franco (Foto: Jorge Adorno/REUTERS )
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247 – Federico Franco, presidente do Paraguai, que chegou ao poder após a deposição sumária de Fernando Lugo, tem um modo peculiar de enxergar a realidade. No dia em que a Venezuela foi aceita no Mercosul, em Brasília, ele submeteu o caso ao Congresso do seu país, como se o Paraguai, que está suspenso do Mercosul, ainda tivesse poder de veto.

Neste domingo, o jornal Estado de S. Paulo publica uma entrevista com Franco (leia mais aqui), na qual ele afirma que o problema de seu país não é com a Venezuela em si, mas com Hugo Chávez. “Nosso problema é o presidente Chávez, o EPP e a relação desse grupo terrorista que temos aqui com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que são apoiadas por Caracas. Esses grupos irregulares, deploráveis e terroristas, fizeram do medo um negócio, sequestrando e matando. Nessas condições, não podemos aceitar a Venezuela e ninguém no Paraguai quer ter relações com EPP, Farc ou Chávez”, disse ele.

Franco chegou ao poder após um golpe parlamentar e Chávez, em breve, deve ser reeleito para mais um mandato na Venezuela. Apesar disso, o presidente paraguaio afirma que a cláusula democrática do Mercosul deveria ser usada para vetar o ingresso do país andino. “No Paraguai, quase ninguém acredita que Chávez tenha credenciais democráticas. Um país onde se governa por decreto e sem Congresso, onde a opinião popular só conta nas urnas, onde se apoia as Farc”, diz ele. No fim, Franco pediu que Dilma Rousseff escute a voz dos 500 mil brasiguaios e normalize rapidamente as relações com o Paraguai.

 

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