A França não conseguiu apagar o incêndio grego

A vitória de François Hollande mudou completamente a atmosfera em Bruxelas. Mas face a instabilidade polícia da Grécia e a fragilidade do sistema financeiro da Espanha, ela pode ter chegado tarde demais para salvar o euro

A França não conseguiu apagar o incêndio grego
A França não conseguiu apagar o incêndio grego (Foto: CHARLES PLATIAU/REUTERS)

Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris - A Europa não tem um minuto de trégua. Poucos dias depois da vitória de François Hollande, na França, que gerou um pequeno vislumbre de esperança, aqui estamos novamente confrontados com dois problemas subjacentes à crise. 

De um lado, o cenário se deve à fragilidade dos sistemas políticos, como vemos na Grécia, que se auto-destroem ao persistir em impor aos cidadãos uma austeridade sem fim e sem futuro, como se fossem responsáveis pela crise. Por outro, como evidenciado pela situação espanhola, há também a fragilidade de alguns ramos do sistema financeiro, resultado de uma década de excesso de liquidez e de má gestão.

A soma dos dois problemas tem piorado cada vez mais a situação dos países mais afetados. Na Grécia, a perspectiva de renegociação do resgate envolve a consideração de uma possível saída do Euro. Na Espanha, reformas e cortes no orçamento que são, neste momento, a única estratégia do governo. O problema é que essas medidas devem obrigatoriamente ser implementadas em um contexto de estabilidade financeira e de confiança externa.

Para manter a Grécia na área do euro, e assim evitar uma reação em cadeia na Espanha, os governos da zona do euro devem tomar medidas drásticas. Os mercados, no entanto, já não acreditam mais nas promessas feitas. Neste contexto pessimista, muitos dentro das instituições europeias começam a concordar que nem a Grécia nem a Alemanha poderão fazer mais esforços: do lado grego, estamos cansados de austeridade, e do lado alemão, estamos cansados de solidariedade.

Se a Grécia sair da zona do euro, será um desastre para os gregos. A condição de vida iria se deteriorar mais ainda, para não mencionar os partidos extremistas, que se tornariam ainda mais poderosos.  

As consequências também seriam geopolítica: num momento histórico em que a UE começa  a incorporar o oeste da Península Balcânica, especialmente a Croácia, a saída da Grécia da zona do euro iria abrir uma nova frente de desordem e falência. A deseuropeização da Grécia poderia também causar um impacto significativo em termos de segurança,  através de um crescimento do nacionalismo e de tensões com a Turquia e a Macedônia.

Apesar do otimismo criado pela vitória da Hollande e que mudou completamente a atmosfera em Bruxelas, a situação da Grécia levanta um dúvida terrível: e se o novo presidente francês tivesse chegado tarde demais?

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