A lamentável campanha de Nicolas Sarkozy

Em poucos dias, a imagem do presidente da Frana passou de um chefe de Estado de coragem para a de um candidato vulnervel e que atira para todos os lados; reportagem de Roberta Namour, de Paris

A lamentável campanha de Nicolas Sarkozy
A lamentável campanha de Nicolas Sarkozy (Foto: Philippe Wojazer/REUTERS)

Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris - Os franceses devem reeleger seu presidente por pena? No último mês, Carla Bruni-Sarkozy tem falado muito, se apresentado na primeira fila dos grandes encontros do partido UMP, e revelado alguns segredos sobre o caráter de seu marido. Com um objetivo claro: ampliar a estratégia de humanização.

Tudo então passa pelo prisma sentimental. Sarkozy acredita na derrota? O presidente anunciou que deixará a política caso seja vencido pelo candidato socialista François Hollande. Confiança em demasia ou perda de controle ? "Ele tem um senso do dever inimaginável. Ele nunca para. Ele trabalha o tempo todo, ele trabalha 20 horas por dia. Eu tenho medo que ele morra!", disse a primeira-dama em uma entrevista.

Nicolas Sarkozy sabe que seu pior inimigo é o seu balanço dos últimos cinco anos. Ele tem interesse em atribuir a responsabilidade a diferentes adversários anônimos, como "a crise". E quando os jornalistas mencionam seus erros, torna-se agressivo.

É este impasse que o levou à ideia de se lançar na polêmica sobre a carne halal iniciada pela Frente Nacional e, assim, buscar um novo endurecimento da política de imigração. Constantemente aponta as comunidades religiosas e os estrangeiros quando se refere aos principais problemas da França. Sem complexo, ele parte à caça dos votos dos simpatizantes da FN.

Por afeição a Nicolas Sarkozy, Angela Merkel teria secretamente chegado a um acordo com Mario Monti, da Itália, o espanhol Mariano Rajoy e David Cameron, da Grã-Bretanha, para ignorar François Hollande e não recebê-lo durante a campanha (segundo a revista alemã Der Spiegel). Mas nem isso tem o ajudado a revigorar sua imagem.

De chefe de Estado de coragem, que demonstrou ser durante as decisões europeias sobre a crise, ao presidente sensível e que atira para todos os lados, que assumiu na campanha. A perda de identidade está afastando Sarkozy da reeleição, por mais esforço que os franceses façam para mantê-lo no jogo.

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