Acordo de governo em Israel legitima a anexação da Palestina, o racismo e a corrupção
Em artigo no Cebrapaz, a cientista política Moara Crivelente, analisa o acordo de governo estabelecido entre Benjamin Netanyahu e Beni Gantz. Entre outros aspectos, a escritora diz que o "tom é de frustração em alguns meios que noticiam a coalizão entre o partido de extrema-direita de Netanyahu, Likud, e o de centro-direita de Gantz, Kahol Lavan”
247 - O acordo prevê a inclusão também de outros partidos de extrema-direita e ultra-ortodoxos que, apesar da ligação com Netnayahu em pontos essenciais, não são propriamente os aliados mais fiéis. “Por isso, uma das principais notas de cautela é a possível instabilidade do governo a ser formado para tentar colmatar um impasse de um ano e três eleições infrutíferas".
"O acordo entre Benjamin Netanyahu e Benny Gantz para a formação do governo de Israel, anunciado na segunda-feira (20), prenuncia a instabilidade dessa coalizão entre rivais —que não estão, porém, em espectros políticos opostos— mas também a continuidade do estado de coisas, mesmo na emergência da pandemia. Este estado é o constante agravamento do quadro político e social em Israel e a anexação que consolida a colonização da Palestina".
[...] "O Kahol Lavan e o Likud repartirão ministérios e a presidência do Parlamento fica com o Likud. Participam também parlamentares do Partido Trabalhista em pastas como a da Economia e a do Bem-Estar e Serviços Sociais, enquanto o da Educação deve ir para o partido de extrema-direita Yamina, caso adira à coalizão. A comissão para a indicação de juízes, principal contencioso entre Gantz e Netanyahu, será composta por ministros de ambos os partidos e mais dois parlamentares de cada bloco".
[...] “O acordo Netanyahu-Gantz anuncia o reforço das medidas econômicas neoliberais e o aprofundamento da ocupação da Palestina por Israel, além de não oferecer propostas sobre a grave crise social, econômica e sanitária no quadro da pandemia”.