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Acordo orçamentário dos EUA entra em crise após ação do ICE

Morte de cidadão americano em Minneapolis leva democratas a ameaçar bloquear pacote que financia o governo e aumenta risco de paralisação federal

Protesto contra o ICE em Minnesota (Foto: REUTERS/Tim Evans)

247 - Um acordo bipartidário para aprovar o orçamento do governo dos Estados Unidos e evitar uma nova paralisação federal passou a correr sério risco no Senado. Senadores democratas indicaram que podem retirar apoio à proposta após agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) matarem a tiros um cidadão americano durante uma operação em Minneapolis.

A reportagem, publicada originalmente pelo The New York Times, aponta que o episódio intensificou a revolta democrata contra o financiamento das ações migratórias do governo Donald Trump, colocando em xeque um pacote considerado crucial para manter o funcionamento da administração federal.

O centro do impasse é a parte do projeto que destina US$ 64,4 bilhões ao Departamento de Segurança Interna (DHS), incluindo US$ 10 bilhões para o ICE. Como a proposta precisa de pelo menos 60 votos para avançar no Senado, a oposição democrata aumenta a probabilidade de uma paralisação parcial do governo no fim do mês.

“Os senadores democratas não fornecerão os votos para prosseguir com o projeto de lei de dotações orçamentárias se o projeto de financiamento do DHS for incluído”, afirmou o líder da minoria, Chuck Schumer, democrata de Nova York. Ele classificou os acontecimentos em Minnesota como “terríveis” e “inaceitáveis em qualquer cidade americana”.

A morte de Alex Pretti, 37, provocou protestos em Minneapolis e aumentou a pressão sobre democratas que ainda consideravam apoiar o acordo para evitar o fechamento do governo. Parlamentares que eram vistos como votos favoráveis passaram a declarar publicamente que não poderiam mais sustentar o pacote.

Diante do impasse, republicanos passaram a discutir a possibilidade de separar o financiamento da segurança interna do restante do orçamento, que também inclui recursos para o Pentágono, o Departamento de Estado e programas de saúde, educação, trabalho e transporte. “Estou explorando todas as opções”, disse a senadora Susan Collins, republicana do Maine.

As críticas democratas se intensificaram nos comunicados públicos. A senadora Catherine Cortez Masto, de Nevada, afirmou que “o governo Trump e Kristi Noem estão colocando agentes federais despreparados e combativos nas ruas sem qualquer responsabilização”, enquanto o senador Mark Warner, da Virgínia, declarou que não votará a favor do financiamento do DHS diante das “tomadas de poder violentas” em cidades americanas.

O pacote orçamentário reúne seis projetos de lei negociados entre democratas e republicanos e já aprovados pela Câmara dos Representantes, mas a parte relativa à segurança interna foi analisada separadamente devido à forte resistência. A proposta rejeita um pedido de Trump para aumentar em US$ 840 milhões o orçamento do ICE, mantendo o financiamento em nível semelhante ao do ano anterior.

Mesmo assim, líderes democratas afirmam que as salvaguardas incluídas são insuficientes. “Votarei contra o financiamento do Departamento de Segurança Interna até que sejam implementados mais controles para responsabilizar o ICE”, disse o senador Brian Schatz, do Havaí. Schumer reforçou que o texto é “lamentavelmente inadequado para conter os abusos do ICE”, sinalizando que o acordo pode ruir de vez.