Aliados dos EUA enfrentam escassez de mísseis na guerra contra Irã
Relatos apontam queda nos estoques de interceptores usados contra drones e mísseis iranianos, elevando custos e pressionando aliados ocidentais e no Golfo
247 - Relatos recentes indicam que aliados dos Estados Unidos enfrentam dificuldades crescentes para sustentar suas defesas aéreas diante da intensificação dos ataques iranianos. Segundo informações divulgadas pela RT, autoridades francesas se reuniram na semana passada para discutir a rápida diminuição dos estoques de mísseis ar-ar utilizados para interceptar drones kamikaze iranianos sobre os Emirados Árabes Unidos.
O encontro ocorreu após duas semanas de confrontos intensos, período no qual caças Dassault Rafale franceses passaram a operar em missões de defesa aérea na região do Golfo. Embora a França tenha se recusado a participar diretamente da campanha de bombardeios liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o país vem realizando operações consideradas defensivas, voltadas à interceptação de drones e outros projéteis que sobrevoam áreas estratégicas.
Consumo acelerado de armamentos
De acordo com o semanário La Tribune, uma “reunião de crise” foi convocada para avaliar o ritmo acelerado de uso dos mísseis MICA missile, empregados pelos caças franceses nas interceptações. O problema não se limita apenas ao consumo rápido do armamento, mas também ao custo elevado para repor os estoques.
Cada unidade da geração anterior do MICA custa entre 600 mil e 700 mil euros, valor que pode ultrapassar dez vezes o preço estimado dos drones iranianos que esses mísseis derrubam. O relatório aponta ainda que a Direction générale de l’armement demonstra resistência em substituir o sistema por alternativas mais baratas, consideradas inevitavelmente menos eficazes.
Outro fator que agrava o cenário é a capacidade limitada de produção da MBDA, responsável pelo desenvolvimento do MICA. A expansão da produção exigiria contratos garantidos de compra, o que cria um gargalo na cadeia de suprimentos em meio à escalada do conflito.
Defesas do Golfo sob pressão
O problema não se restringe às forças francesas. Países árabes que abrigam bases militares americanas também enfrentam dificuldades para sustentar suas defesas diante do volume de ataques. Embora detalhes sobre estoques e uso de armamentos sejam classificados, estimativas sugerem um consumo significativo de sistemas de interceptação.
A revista The Economist calcula que, após a interceptação de mais de 880 mísseis iranianos relatada por governos árabes, cerca de 1.900 mísseis MIM‑104 Patriot podem ter sido disparados. Cada interceptador Patriot custa entre 3 milhões e 6 milhões de dólares e seria responsável por aproximadamente nove em cada dez interceptações.
Além desse sistema, as defesas regionais também contam com plataformas mais avançadas, como o Terminal High Altitude Area Defense e o NASAMS, considerados ainda mais caros.
Segundo a CBS News, a Casa Branca está ciente das reclamações de governos do Golfo sobre a escassez de interceptores e criou uma força-tarefa para reforçar os estoques. Autoridades locais relatam que, em alguns casos, os comandantes precisam escolher quais drones ou mísseis interceptar devido à limitação de recursos.
Israel também enfrenta questionamentos
A situação também levanta dúvidas sobre a capacidade defensiva de Israel. A agência Semafor informou no domingo que as Israel Defense Forces estariam com um estoque “criticamente baixo” de interceptores de mísseis balísticos, segundo autoridades americanas.
Israel teria iniciado o atual conflito com reservas reduzidas após a guerra do ano anterior, e não está claro se os Estados Unidos conseguirão repor rapidamente os sistemas necessários. O governo israelense negou a informação, afirmando que as Forças de Defesa de Israel estão “preparadas e prontas para lidar com qualquer cenário”.
Ainda na primeira semana da guerra, o governo do presidente Donald Trump utilizou poderes de emergência para acelerar a venda de 12 mil bombas BLU‑110A/B bomb para Israel, parte de um pacote de armamentos estimado em cerca de 650 milhões de dólares que estava em análise informal no Congresso.
Dúvidas sobre o cálculo estratégico
Apesar das dificuldades relatadas por aliados, autoridades americanas continuam afirmando que o Irã está próximo da derrota. O presidente Trump declarou que o Pentagon possui um arsenal “virtualmente ilimitado” para sustentar a campanha militar.
Entretanto, os Estados Unidos também vêm deslocando sistemas antimísseis de outras regiões para o Oriente Médio, o que levanta preocupações estratégicas. Na semana passada, um funcionário do governo da South Korea afirmou que “não há problema com a dissuasão contra a Coreia do Norte, independentemente de alguns ativos das Forças Armadas dos EUA na Coreia (USFK) serem realocados para o exterior”. A imprensa local relatou a possibilidade de transferência de até 48 interceptores do sistema THAAD para o teatro do conflito.
Enquanto isso, autoridades iranianas afirmam possuir grandes estoques de mísseis e drones armazenados em instalações subterrâneas e distribuídos pelo território do país, além de desenvolver novas capacidades militares. Caso essas alegações se confirmem, a redução dos arsenais defensivos entre seus adversários pode alterar o equilíbrio da escalada militar no Oriente Médio.