Amorim acredita que China poderia se envolver mais nas negociações entre Rússia e Ucrânia
Ex-chanceler considera que em qualquer negociação deste tipo é necessário multilateralizar para dar mais força
Sputnik - O ex-chanceler do Brasil Celso Amorim avaliou positivamente as negociações entre a Rússia e a Ucrânia, mas acredita que outros países, sobretudo a China, poderiam se envolver mais para que o conflito termine o mais rápido possível.
"Em qualquer negociação deste tipo é necessário multilateralizar um pouco, para dar mais força, penso que talvez um dos países que possa ajudar muito é a China", observou o ex-chanceler.
Amorim acrescentou que "tanto a China, como os países europeus, outros países em desenvolvimento, a própria Turquia [poderiam se envolver mais] isso é bom para solidificar os acordos e dar-lhes credibilidade".
De qualquer modo, o ex-chanceler brasileiro disse que é positivo que haja uma negociação porque é "urgente" negociar, e pediu que se chegue a um acordo o mais rápido possível.
Amorim criticou as sanções aplicadas pela Europa e EUA contra a Rússia pelo conflito na Ucrânia e expôs suas contradições.
"As sanções são terríveis, as pessoas pensam: a sanção é algo que afetará o banqueiro […] Não, as sanções matam, eu fui presidente de um comitê na ONU sobre o Iraque e vi o mal que se criou ali", afirmou ele à agência.
Amorim considera que as sanções causam grandes problemas e que muitas são absurdas. Neste sentido, ele questionou: "A Europa, por exemplo, está isenta de aplicar sanções no que se refere ao petróleo e gás, mas o Brasil não pode comprar fertilizantes?"
"Nós que não temos nada a ver com o conflito, estamos distantes, estamos aplicando sanções que serão prejudiciais para o Brasil, e a Europa fica isenta de um assunto que é importante para eles", lamentou o ex-ministro das Relações Exteriores.
Amorim conversou com a Sputnik durante um seminário organizado pelo Grupo de Puebla na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que contou com a presença de vários líderes da esquerda latino-americana.