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Arábia Saudita lança ataques aéreos contra alvos separatistas no Iêmen

Iêmen atravessa um novo impasse na guerra civil

Outdoors com imagens do Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, e de Aidarous al-Zubaidi, chefe do STC, grupo separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, em Aden, Iêmen, 30 de dezembro de 2025. (Foto: REUTERS/Fawaz Salman)

247 — Moradores da província iemenita de Hadramout, no sudeste do país, relataram nesta quinta-feira (1º) o sobrevoo de aviões de guerra da Arábia Saudita em diversas áreas da região, segundo informações da agência Xinhua.

Os voos ocorrem após forças leais ao Conselho de Transição do Sul (STC, na sigla em inglês) se recusarem a se retirar da província, mantendo forte presença em pontos estratégicos. O cenário alimenta temores de uma possível operação terrestre por tropas do governo iemenita apoiadas por Riad, que estariam se concentrando nas proximidades de Hadramout.

As tensões entre aliados regionais se agravaram de forma significativa na terça-feira, quando forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita realizaram ataques aéreos contra a cidade portuária de Mukalla, no sul do Iêmen. De acordo com a Agência de Imprensa Saudita, os bombardeios tiveram como alvo armas e veículos de combate supostamente descarregados no porto.

No mesmo contexto, a Arábia Saudita determinou que todos os voos internacionais com origem ou destino no Iêmen passem por inspeções de segurança no Aeroporto de Jeddah antes de seguirem para seus destinos finais. Embora parte dessas restrições tenha sido posteriormente flexibilizada, elas seguem em vigor para voos de e para os Emirados Árabes Unidos, país acusado por Riad de apoiar o STC.

Após os ataques, o presidente do Conselho Presidencial de Liderança, Rashad al-Alimi, cancelou um acordo conjunto de defesa com os Emirados Árabes Unidos e ordenou que todas as forças emiradenses deixassem o Iêmen no prazo de 24 horas. Nesta quinta-feira, o governo iemenita reconhecido internacionalmente afirmou que os Emirados iniciaram a retirada de suas forças remanescentes do país, em meio à escalada das tensões na nação árabe devastada pela guerra.

Apesar disso, autoridades leais ao STC se recusaram a cumprir os novos protocolos determinados pelo governo central apoiado pela Arábia Saudita e suspenderam parcialmente as operações no Aeroporto Internacional de Áden, principal porta de entrada do país, segundo informou à Xinhua uma fonte do governo do Iêmen.

A coalizão acusa os Emirados Árabes Unidos de apoiar a ofensiva lançada pelo STC, grupo de orientação separatista que recentemente assumiu o controle de amplas áreas das províncias de Hadramout e Al-Mahrah.

Em dezembro de 2025, o STC ampliou seu domínio sobre as províncias orientais de Hadramout e Al-Mahrah. Manifestações em massa em apoio à criação de um Iêmen do Sul independente ocorreram em áreas sob controle do grupo, indicando amplo respaldo popular. Em resposta, a Arábia Saudita pediu uma desescalada imediata e exigiu a retirada de todas as unidades do STC dessas regiões.

As disputas levantam questionamentos sobre a coesão da coalizão anti-Houthi e sobre o futuro equilíbrio de poder no sul e no leste do país. 

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