Assad quer referendo para nova Constituição

Governo dos Estados Unidos rebate: referendo convocado por presidente srio "risvel" e "zomba da revoluo sria"

Assad quer referendo para nova Constituição
Assad quer referendo para nova Constituição (Foto: Divulgação)

Enquanto as tropas regulares sírias mantinham seu assalto nesta quarta-feira contra as cidades rebeladas, o presidente Bashar Assad ordenou a realização de um referendo sobre uma nova Constituição que criará um sistema multipartidário no país, governado pela dinastia autocrática dos Assad pelos últimos 40 anos. Segundo a agência estatal de notícias Sana, o referendo ocorrerá em 26 de fevereiro. O governo dos Estados Unidos disse que o referendo convocado por Assad é "risível" e "zomba da revolução síria". Nesta quarta-feira, a revolução parecia ter chegado ao norte do país. Confrontos entre tropas regulares e desertores deixaram 14 mortos em Alepo, maior cidade da Síria. A oposição rechaçou o referendo.

"O povo hoje nas ruas tem várias demandas e uma delas é a renúncia de Assad e a partida do regime", disse Khalaf Dahowd, que integra o Conselho de Coordenação Nacional para uma Mudança Democrática na Síria, que reúne grupos locais e de sírios no exílio. Assad convocou o referendo mas não explicou como o governo fará uma votação desse alcance em um país onde ocorrem verdadeiras batalhas diárias entre tropas regulares, desertores e oposicionistas, mesmo nos subúrbios de Damasco.

A proposta de mudança constitucional do governo passa a permitir o multipartidarismo e diz que o presidente pode ter apenas dois mandatos, cada um de sete anos. Assad, que herdou o poder do seu pai Hafez, governa há 12 anos. Hafez governou durante 30 anos. O governo russo, aliado da família Assad, disse que as propostas apresentadas hoje fazem parte da alternativa que o mandatário sírio apresentaria para resolver o impasse político e a carnificina que já deixaram mais de 5.400 mortos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta semana, a alta comissária dos direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que existem indícios de que crimes contra a humanidade foram cometidos pelo governo sírio contra sua população civil. Centenas de crianças foram torturadas e algumas mortas pelo governo, que em Homs e em Hama não hesitou em usar artilharia pesada contra bairros civis controlados por desertores, matando mulheres e crianças nesses bombardeios.

Enquanto os Comitês de Coordenação Local, um grupo sírio, afirma que o governo matou hoje 13 pessoas ao redor do país, o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, outro grupo da oposição, mas sediado em Londres, afirma que foram mortas oito. Ocorreram manifestações contra o governo em Alepo, maior cidade do país e que até agora estava em grande parte apoiando Assad. Vídeos amadores publicados na internet mostravam colunas de fumaça subindo de algumas ruas - provavelmente pneus queimados por manifestantes. Segundo a Sky News, confrontos entre tropas regulares e desertores deixaram hoje 14 mortos em Alepo. Na província central de Homs, a violência continuou, com tropas do governo atacando bairros residenciais e a explosão de um oleoduto mais cedo.

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