Bannon orienta Bolsonaro a agir contra Venezuela em aliança com EUA

Steve Bannon, o estrategista que participou da cúpula da campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos como um dos seus principais formuladores acompanha de perto o início do governo de Bolsonaro, como um consultor informal; depois de dar uma série de opiniões sobre a política interna e atacar o vice-presidente, general Mourão, o guru de Trump agora orienta o governo brasileiro a agir em conjunto com Trump contra a Venezuela

Bannon orienta Bolsonaro a agir contra Venezuela em aliança com EUA
Bannon orienta Bolsonaro a agir contra Venezuela em aliança com EUA

247 - Steve Bannon, o estrategista que participou da cúpula da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos como um dos seus principais formuladores, tem dado frequentemente opiniões sobre o Brasil, mostrando que acompanha de perto o início do governo de Jair Bolsonaro. Depois de dar uma série de opiniões sobre a política interna, o guru de Trump prega que o Brasil deve agir em conjunto com os Estados Unidos contra o governo venezuelano.

Falando como uma espécie de porta-voz oficioso de forças imperialistas e agentes do mercado financeiro internacional, Bannon se mostra fervoroso partidário do governo de extrema-direita brasileiro e alerta para o que ele chama de "pressões muito parecidas com as que pesam sobre Trump".

É tanto o envolvimento de Bannon com o bolsonarismo que na quarta-feira (6) ele chegou a se referir ao vice-presidente, Hamilton Mourão, em termos ofensivos. Disse que o general "não é muito útil", "é desagradável" e "pisa fora da sua linha".

A força dessas relações de Bannon com o bolsonarismo se evidenciou ainda mais em entrevista publicada nesta quinta-feira (7) no jornal Valor Econômico, com tradução de Hilton Hida e Patrick Brock.

Batendo na tecla das críticas a Mourão, disse: "Parece que ele [o vice-presidente] não entende o sentido e o propósito da revolução Bolsonaro."

Na semana passada, aponta o jornal Valor Econômico, um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), comprometeu-se com Bannon a passar a atuar como representante na América do Sul do chamado The Movement, movimento com pretensões a ser uma rede internacional em defesa de teses de direita, para se opor na América Latina ao Foro de São Paulo, uma articulação de partidos políticos e movimentos sociais progressistas e de esquerda.

Em entendimentos com Eduardo Bolsonaro, Bannon defende o envolvimento e a intervenção brasileira na Venezuela.

Bannon e Eduardo Bolsonaro mantêm contatos frequentes desde antes da campanha eleitoral. Na entrevista, ele considera que "um dos desafios importantes do Brasil e de outros países da região é lidar com a crise na Venezuela".

Bannon exalta a extrema-direita mundial, com suas concepções retrógradas, com as quais o clã Bolsonaro se identifica: "O mundo hoje em dia está dividido entre os globalistas, humanistas secularistas, e os defensores da tradição judaica-cristã do Ocidente. Eu entendo a pressão que o capitão Bolsonaro vai enfrentar em suas políticas domésticas e até nas sociais. Hoje [anteontem] o presidente Trump, na Sala Roosevelt ao lado do Gabinete Oval, estava fazendo um discurso para líderes conservadores e passou cinco minutos falando sobre os comentários do governador da Virgínia sobre infanticídio. Ele disse que a decisão sobre o nascimento do bebê deve ficar entre o médico e a mãe. O presidente Trump ficou cinco minutos falando sobre isso e a imprensa esquerdista foi à loucura".

O estrategista de Trump faz então a apologia aos fascistas da atualidade: "A grande imprensa e a esquerda marxista-cultural odeiam o capitão Bolsonaro, do mesmo jeito que odeiam Trump. É o mesmo com Orbán [Viktor Orbán, primeiro-ministro de extrema direita da Hungria], Salvini [Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália e também da extrema-direita], Le Pen [Marine Le Pen, líder do partido ultradireitista da França, e seu pai Jean Marie Le Pen, veterano líder da direita no país] e Trump. É um entendimento de que temos uma visão diferente de vida do que os globalistas e os humanistas e secularistas. É o que é. O negócio é seguir ganhando eleições, e acho que a chave para ganhar eleições é recuperar a economia. Por isso que eu acho que o capitão Bolsonaro está priorizando a economia e reformas como a da Previdência. Isso permite que pessoas sofisticadas nas cidades e outros comecem a olhar mais para o Brasil como um bom lugar para fazer grandes investimentos".

Sobre Venezuela,  Bannon defende que países como Brasil, Argentina e outros devem enfrentar em conjunto com os Estados Unidos "uma situação que pode acabar se tornando muito sangrenta e anárquica". Em sua opinião, esses países "precisam decidir se querem que o colapso da Venezuela se espalhe" (...) E dá conselhos ao presidente brasileiro de extrema-direita: "Acho que Bolsonaro deveria discutir isso com a Colômbia e os outros países. Dizem que uma crise humanitária está motivando as caravanas de imigrantes tentando entrar nos EUA, acho que vocês estão caminhando para crise humanitária gigantesca com a Venezuela, que é um governo socialista incompetente e totalitário entrando em colapso. Por isso acho que pessoas vão valorizar gente como Bolsonaro que têm bom julgamento e sabedoria para tomar essas decisões. Não quero especular muito, mas te digo isso: a coisa vai ficar feia daqui pra frente".

Ao final da entrevista, Bannon revela que nos últimos dias discutiu sobre a Venezuela com Eduardo Bolsonaro.

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