Base terrorista?

Segundo o Wikileaks, grande mesquita de Lyon vista pelos americanos como um centro de recrutamento de terroristas da Al-Qaeda. At ento, o governo francs considerava o lugar como um exemplo

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Roberta Namour, correspondente do 247 de Paris

A Grande Mesquita de Lyon é uma base de retaguarda da Al-Qaeda para recrutar, ajudar e treinar militantes. Pelo menos é o que diz o governo americano em um documento revelado pelo Wikileaks, intitulado "Matrix of Threat Indicators for Enemy Combattants". Endereçado aos interrogadores de Guantanamo para avaliar a importância dos prisioneiros na hierarquia da Al-Qaida, o texto contém uma lista de 10 mesquitas e centros islâmicos no mundo. A metade fica em Sanaa, no Yémen, em Karachi, no Paquistão, e em Cabul, no Afeganistão. Mas cinco entre elas estão localizadas no ocidente : a Grande mesquita de Lyon, na France, o Instituto cultural islâmico de Milão, na Itália, a mesquita Al-Sunna de Montreal, no Canadá, um espaço alugado ao clube de jovens Four Feathers e a mesquita Finsbury Park – ambos de Londres. O reitor da lyonesa, Kamel Kabtane, se diz chocado e surpreso com as acusações do Pentágono. O lugar é considerado pelo governo francês como um exemplo da religião islâmica no País. Quem está mal informado, os Estados Unidos ou a França ?

O documento redigido em 2004 elegeu alguns critérios para determinar o nível de periculosidade dos prisioneiros de Guantanamo. Entre eles estão o fato de o indivíduo ter passado pelo Afeganistão depois do 11 de Setembro, ter sido convidado para o casamento de Ben Laden Filho ou ainda possuir um relógio Casio – modelo prateado oferecido pelo grupo terrorista aos que participam de uma formação de detonação de explosivos. Na página 9 está publicado a lista das mesquitas conhecidas pelos experts americanos por terem recrutado membros conhecidos da Al-Qaeda.

A grande contradição é que a mesquita de Lyon, citada no texto, não é conhecida pelo governo francês por seus sermões fundamentalistas. A cidade de Lyon, segunda maior da França, é de fato considerada internacionalmente como uma base do islamismo radical e de alguns terroristas. Mas nenhum dos lyoneses que passaram por Guantanamo, como Nizar Sassi, Mourad Benchellali e Nabil Hadjarab, teve qualquer ligação confirmada com o centro da religião islâmica em questão. « Essa é a imagem que Lyon tem. E o Pentágono analisou a situação pela pequena extremidade do telescópio », afirma Kamel Kabtane. Segundo o reitor, há 17 anos a Grande mesquita de Lyon se esforça para dar uma imagem positiva do islamismo e dos muçulmanos. Em 2007, Nicolas Sarkozy declarou que a França tinha problemas com o terrorismo escondidos em caves e garagens, mas não na Grande mesquita de Lyon ou de Paris. «Como é possível que os americanos estejam mais informados do que a polícia francesa ? », questiona Kabtane que não pretende ficar de braços cruzados. Ele vai exigir uma retratação das autoridades americanas no encontro que terá hoje com o cônsul americano. Além disso, o reitor deseja uma ação do governo francês. « Esse documento foi redigido em 2004. Estou surpreso que as autoridades francesas não tenham reagido antes », diz.

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