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Berlim atribui apagão elétrico a extremistas de esquerda

Apagão deixou cerca de 45 mil residências e mais de 2 mil empresas sem energia

Polícia da Alemanha (Foto: Reprodução (Instagram))

247 - As autoridades alemãs atribuíram a um ataque de motivação política o apagão que deixou cerca de 45 mil residências e mais de 2 mil empresas sem energia elétrica em Berlim no sábado (3). O incêndio deliberado atingiu a infraestrutura de distribuição de energia da capital em um período de temperaturas próximas de zero grau, interrompendo também sistemas de aquecimento, telecomunicações e serviços essenciais.

Segundo informações divulgadas pela Deutsche Welle (DW), com base em dados das autoridades locais e agências internacionais, o prefeito de Berlim, Kai Wegner, do partido conservador União Democrática Cristã (CDU), afirmou que a interrupção do fornecimento foi provocada por “extremistas de esquerda” e classificou o episódio como um possível “ato de terrorismo”.

O ataque ocorreu em uma ponte de cabos sobre o Canal Teltow, que conecta a rede elétrica à usina termelétrica a gás localizada em Berlim-Lichterfelde. As chamas danificaram várias linhas de energia consideradas essenciais, afetando os distritos de Nikolassee, Zehlendorf, Wannsee e Lichterfelde. Em setembro, duas torres de energia da cidade já haviam sido alvo de uma ação semelhante.

“Suspeitos extremistas de esquerda colocaram vidas em risco conscientemente, especialmente as de pacientes em hospitais, bem como idosos, crianças e famílias”, disse Wegner, ao destacar a gravidade do episódio em meio ao inverno rigoroso.

A autoria do ataque foi reivindicada em uma carta enviada a autoridades e intitulada “Cortando a energia dos governantes”. O texto foi associado ao chamado Grupo Vulcão, que afirmou na internet ter sido responsável pela sabotagem. No manifesto, os supostos autores afirmam: “Na ganância por energia, a Terra é drenada, sugada, queimada, abusada, incendiada, violentada, destruída”. Ainda segundo a carta, “quedas de energia não foram o objetivo da ação, mas sim a indústria de energia fóssil”.

O apagão afetou a iluminação pública, semáforos, redes de telefonia móvel e sistemas de refrigeração de supermercados. Em residências, o corte interrompeu o aquecimento, aumentando o desconforto da população diante das baixas temperaturas. Postos de combustíveis e estabelecimentos comerciais também precisaram fechar temporariamente.

A fornecedora local de energia informou que cerca de 10 mil residências e ao menos 150 empresas tiveram o fornecimento restabelecido até a manhã de domingo, incluindo a maioria dos hospitais e clínicas atingidos. No entanto, a expectativa é que parte dos domicílios só volte a receber eletricidade na tarde de quinta-feira, o que deve levar ao fechamento temporário de escolas, como já havia ocorrido em episódio semelhante registrado em setembro.

Os prejuízos econômicos ainda estão sendo calculados, mas empresas afetadas estimam perdas significativas. “Prevemos milhões de euros em danos a equipamentos e máquinas e grandes perdas de receita”, afirmou Alexander Schirp, diretor-executivo da Associação Empresarial de Berlim e Brandemburgo (UVB).

A senadora de Assuntos Econômicos de Berlim, Franziska Giffey, afirmou que dispositivos incendiários foram colocados diretamente sob os cabos de energia. “A força com que ocorreu o desenvolvimento contínuo de calor e um incêndio constante foi maior do que a força que uma ‘bola explosiva’ poderia ter desencadeado”, disse Giffey à emissora local RBB.

O Grupo Vulcão já havia reivindicado anteriormente um ato de sabotagem contra uma fábrica da Tesla na Alemanha, quando linhas de energia que abasteciam o local foram incendiadas. Para representantes do setor produtivo, o episódio reforça a vulnerabilidade da infraestrutura crítica do país. “A queda de energia mostra que nossa infraestrutura não está adequadamente protegida contra ataques e acidentes”, afirmou Schirp.

A Alemanha permanece em alerta máximo para ações de sabotagem direcionadas à infraestrutura estratégica, incluindo possíveis ameaças atribuídas a atores estrangeiros. As investigações sobre o ataque em Berlim seguem em andamento.

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