Brasil usa palanque da ONU para discursar contra aborto e defender teorias conspiratórias

O discurso do Brasil na abertura do Conselho de Direitos Humanos ignorou os levantamentos de relatores, que condenaram a gestão da pandemia e a perseguição contra ativistas. Damares preferiu focar na questão do aborto, e Araújo insistiu na teoria do 'tecno-totalitarianismo'. As falas reforçam o isolamento geopolítico do governo Bolsonaro

(Foto: Reprodução)
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247 - O discurso do Brasil na abertura do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) foi marcado pela defesa de teses em desalinho com as tendências globais, reforçando o isolamento geopolítico do governo Bolsonaro.

Os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Damares Alves (Família, Mulheres e Direitos Humanos) ignoraram os levantamentos feitos por relatores, que condenam a gestão da pandemia e a perseguição contra ativistas pelos direitos humanos. 

Damares buscou enfatizar a assistência do governo a minorias mais afetadas pela pandemia: "Indígenas, quilombolas e povos isolados foram beneficiados por mais de 700 mil cessar básicas para que se mantivessem em suas localizados, longe de áreas de contaminação", disse.

A ministra também falou sobre a questão do aborto, e disse que o Brasil defende a vida "desde sua concepção".

Já Ernesto Araújo usou o palanque da conferência para insistir na teoria do 'tecno-totalitarianismo'. Segundo ele, existe um controle sobre a internet que silencia certos grupos: "O bloqueio de plataformas e sites, até o controle de conteúdo e informação, medidas judiciais e leis que criminalizam as atividades online, o emprego abusivo ou equivocado de algoritmos, a maré crescente de controle da Internet por diferentes atores, movimentos por motivos econômicos ou ideológicos", disse.

O ministro defendeu "liberdades fundamentais", que, aponta, existem em oposição à saúde: "As liberdades individuais são hoje ameaçadas e os desafios crescentes, e a crise da Covid apenas contribuiu para exacerbar essas tendências. Sociedades inteiras estão se habituando à ideia de que é preciso sacrificar a liberdade em nome da saúde", disse.

"Não critico as medidas de lockdown que tantos países aplicam, mas não se pode aceitar um lockdown do espírito humano, o qual depende fundamentalmente da liberdade e dos direitos humanos para exercer assim sua plenitude", completou.

As falas constam na coluna de Jamil Chade, no Uol.

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