BRICS poderia ser plataforma para mediar crise na Venezuela, diz especialista

Para  professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, apesar da Venezuela ser um ponto de discordância, a agenda do bloco é muito ampla e a apresentação do tema não deve prejudicar as conversações; no entanto, certamente os países do BRICS estão atentos para as mudanças no governo do Brasil e ainda buscam entender para onde Brasília está caminhando na arena internacional

BRICS poderia ser plataforma para mediar crise na Venezuela, diz especialista
BRICS poderia ser plataforma para mediar crise na Venezuela, diz especialista (Foto: Reuters)

Sputnik Brasil - Durante toda a semana que se encerra, Curitiba sediou a primeira reunião de 2019 do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e a crise na Venezuela, apesar de não estar na pauta, foi abordada.

O encontro preparatório para a 11ª Cúpula do grupo, que acontecerá em Brasília em novembro, contou com ministros das Relações Exteriores e altos funcionários das chancelarias dos países do bloco.

A crise da Venezuela foi levada aos representantes dos países do BRICS pelo Brasil. Enquanto o Brasília apoia a oposição e o autoproclamado presidente Juan Guaidó, a Rússia e a China são os principais apoiadores do governo de Nicolás Maduro.

Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, conversou com a Sputnik Brasil sobre o tema e afirmou que Brasil tem se mostrado muito ativo em relação à crise no paíse vizinho e que tenta buscar mais apoio também da Índia e da África do Sul, que teriam se posicionado até então com cautela.

"Brasil entendeu que esse é um fórum importante para colocar a questão e tentar, se não conseguir o apoio da China e Rússia, buscar uma flexibilização desses dois países e um apoio maior à oposição", disse a especialista.

A Rússia, inclusive, no final da reunião, se declarou pela paz na América Latina, o que, segundo a professora, pode ser uma "abertura para início de uma negociação".

Para Holzhacker, apesar da Venezuela ser um ponto de discordância, a agenda do bloco é muito ampla e a apresentação do tema não deve prejudicar as conversações. No entanto, certamente os países do BRICS estão atentos para as mudanças no governo do Brasil e ainda buscam entender para onde Brasília está caminhando na arena internacional.

"O bloco ainda está tentando entender a política externa do governo Bolsonaro" afirmou. "Mas esse ainda é um espaço de diálogo importante", acrescentou.

"A discussão sobre Venezuela é um reflexo de uma nova posição do Brasil e de sua prioridade à aliança com os Estados Unidos", alertou a professora. No entanto, ainda é necessário acompanhar os processos em curso para observar se essa aliança será em detrimento dos blocos regionais ou se ainda há espaço para o multilateralismo no Itamaraty.

"De qualquer forma, se o Brasil conseguir levar esse debate sobre Venezuela para o BRICS", concluiu a professora, e transformar o bloco em um mediador, a façanha diplomática seria impressionante e poderia compor o início de uma solução para a crise.

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