Casamento franco-alemão

Emeterna crise, o sexagenrio casal Frana e Alemanha geraoutro fruto: a parceria bilionria France Tlcom/Deutsche Telekom

Roberta Namour, correspondente do 247 de Paris – O casamento da Alemanha e da França acaba de render um novo fruto em mais de 60 anos de união. A France Télécom e a Deutsche Telekom anunciaram a criação de uma joint venture para unir suas compras e, consequentemente, economizar anualmente 1,3 bilhões de euros. "Nós fazemos parte de um mercado global no qual o tamanho conta muito", afirma Edward Kozel, diretor de tecnologia e inovação da Deutsche Telekom.

Mas nessa união, nem tudo são flores. Os dois países começaram a tempestuosa relação conjugal em 1951 com a criação da Comunidade europeia de carvão e de aço. Desde então, cada mudança de governo levou a um aprendizado doloroso. Charles De Gaulle e Konrad Adenauer foram flagelados pela desconfiança mútua. Hemult Kohl e François Mitterrand não se entendiam e o objetivo de Gerhard Schoröder era dar prioridade à aproximação com o inglês Tony Blair.

As desavenças chegaram aos dias de hoje. De um lado, o arrogante papai Sarkozy e suas andanças desequilibradas. Do outro, a durona mamãe Merkel, que segura o orçamento e ainda assume as tarefas ingratas da educação. Resumindo, a Alemanha com seu papel de megera e a França boêmia que nem se quer sente-se culpada por isso. Segundo Henrik Uterwedde, diretor do Instituto de estudos das relações franco-alemãs de Ludwigsburg, as mídias na Alemanha adoram bater em Sarkozy, porque ele encarna todos os defeitos do sistema francês. Para eles, a França não perde a majestade.

E, como em todo casal sexagenário, o peso da vida cotidiana resulta na falta de desejo entre as duas partes. Até os anos 2000, sobre a França e a Alemanha ainda reinava uma dimensão quase sagrada da paz reencontrada. "Nós estávamos ligados por razões quase orgânicas", afirma Patrick Farges, mestre de conferências da Sorbonne. Mas a geração da Segunda Guerra Mundial foi desaparecendo pouco a pouco e agora não existe mais nenhum grande projeto franco-alemão.

Entre a França e a Alemanha a crise do euro ultrapassou o passado histórico. Os alemães sofrem de uma ansiedade arcáica com a moeda instável. Nos anos 20, o colapso do marco abriu as portas à Hitler. Já os governantes franceses há muito tempo praticam a desvalorização para relançar as exportações. O euro tem mais de dez anos, mas ele ainda não apagou as divergências de pensamento. Os economistas alemães estão convencidos de que a visão liberal de seus parceiros, como a da França, puxam a moeda para baixo.

Por que então manter esse casamento falido? Para preservar a união familiar, dizem os pesquisadores. Sem eles, não haveria nenhuma grande decisão europeia. Apesar das diferenças, a cooperação econômica franco-alemã está em plena forma. Os dois líderes as vezes trabalham de uma maneira tão coesa que até são acusados ​de exclusividade. Para aquecer a máquina do amor, nada como uma iniciativa construtiva.

Hoje a Alemanha deseja um marido forte e a França, disciplina. Em outros termos, a Alemanha se ocupa da estabilidade monetária e econômica por tradição, e a França da influência diplomática e militar. Enquanto Sarkozy partiu para a guerra na Líbia e na Costa do Marfim, Angela Merkel ficou em casa cuidando das finanças. Os alemãs não gostam muito da ideia de liderança mundial depois de seu do passado trágico. E assim segue o casamento mais fiel e conturbado da história do velho continente.

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