Celso Amorim alerta para risco de guerra no continente

Em mensagem de vídeo à TV 247 na manhã desta quinta, o ex-ministro Celso Amorim, denunciou o risco de guerra na América do Sul depois que EUA, Brasil e Colômbia fizeram a OEA aprovar ontem a convocação do Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca ). O alvo é a Venezuela. Assista

Celso Amorim
Celso Amorim (Foto: 247)

247 - Em mensagem de vídeo enviada ao 247 na manhã desta quinta-feira (12), o ex-ministro das Relações Exteriores e ex-ministro da Defesa, Celso Amorim, condenou a convocação do Tiar - Tratado Interamericano de Assistência Recíproca -   afirmando que ela acarreta o perigo de guerra para o continente latino-americano.  

Assista: 


"Sinto-me obrigado a voltar ao tema da Venezuela  sobretudo em função da convocação de uma reunião de ministros do TIAR - Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, também conhecido como Tratado do Rio de Janeiro, infame tratado da epoca da Guerra Fria que foi usado exclusivamente para torpedear governos progressistas em nossa região, inclusive sanções contra Cuba que foram aprovadas em 1964, depois da exclusão desse país em 1962", diz Amorim  

"A ameaça do uso da força - prossegue - implícita na convocação do Tiar, é totalmente absurda, contraria todos os princípios da convivência pacifica, da solução pacífica de controvérsias, da não intervenção e da autodeterminação dos povos", enfatiza o ex-chanceler, defendendo os consagrados princípios da Carta das Nações Unidas.  

"Essa ameaça também vai contra inclusive as disposições das Nações Unidas que reservam o monopólio do uso da força, no caso das medidas coercitivas, às próprias Nações Unidas, ao seu Conselho de Segurança", pontua.   

Amorim não crê que os chamados de Guaidó ao uso da força tenham êxito, mas alerta que "é preciso estar atentos" e também para a possibilidade de que essa reunião "seja utilizada para ampliar as sanções contra a Venezuela", finaliza.   

Conforme noticiamos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou projeto apresentado por aliados do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que prevê a convocação do Tiar, o que praticamente abre as portas para uma intervenção militar no país sul-americano. Doze dos dezoito países-membros do Tiar votaram a favor do projeto apresentado pelas Missões Permanentes do Brasil, Colômbia e EUA  Apenas cinco países, entre eles o Uruguai e o México, se posicionaram contra a medida.   

Uma reunião com os ministros do Exterior dos países-membros para tratar da crise venezuelana será convocada para a segunda quinzena de setembro.   

Também na quarta-feira, o governo venezuelano rechaçou a invocação do Tiar e a ameaça de agressão.   

Em comunicado oficial, o governo do presidente Nicolás Maduro denunciou "de maneira categórica  a infame decisão de um pequeno grupo de governos da região que, alinhados aos interesses do governo supremacista dos Estados Unidos, invocaram a ativação de um nefasto instrumento da história do nosso continente como é o caso do Tiar".    

O governo da Venezuela afirma que o Tiar foi imposto pelos EUA durante o período da Guerra Fria e que seu propósito "foi legitimar intervenções militares na América Latina por razões ideológicas".   "É doloroso que países que foram invadidos por tropas estadunidenses e cujos povos foram massacrados na aplicação do Tiar hoje avalizam um crime semelhante contra um país irmão em uma sessão do Conselho Permanente da OEA", diz o comunicado do governo venezuelano.    

"A República Bolivariana da Venezuela faz um chamado sentido aos países e aos povos da região para rechaçar firmemente as pretensões deste pequeno grupo de países que, no seio da OEA, ameaçam a paz e a integridade da Venezuela e de todo o continente", conclui o governo venezuelano.


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