Celso Amorim diz que, com Biden, intervencionismo dos EUA pode assumir formas mais sutis

O Embaixador Celso Amorim, ex-chanceler do Brasil durante o governo do presidente Lula, discute em artigo sobre os rumos da política externa no governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden

Celso Amorim e Joe Biden
Celso Amorim e Joe Biden (Foto: Brasil247 | Divulgação)
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247 - “Como conta Tito Lívio, em suas “Décadas”, os “gansos do Capitólio” deram o alerta que salvou a República Romana de ser tomada por invasores gauleses, no longínquo ano de 390 aC”, escreve na Carta Capital o ex-chanceler da política externa ativa e altiva.

“Vinte e quatro séculos e alguns anos depois, a Polícia do Capitólio norte-americano não teve (ou não quis ter) a mesma eficiência em relação a uma multidão de supremacistas brancos que, incitados por Donald Trump, buscaram impedir a confirmação da eleição de Joe Biden”. 

Amorim opina que “nuvens pesadas continuam a pairar sobre Washington, sem que saibamos se as cenas que nos causaram espanto e estupefação marcam o fim de uma era ou o início de um processo de radicalização”. 

E questiona sobre qual será a capacidade dessas forças extremistas (ou fascistas) de se manterem coesas e atuantes.  

De acordo com o ex-chanceler, com o governo Biden “o intervencionismo, sempre presente na política externa dos Estados Unidos, poderá assumir formas mais sutis do que as que marcaram os anos Trump”. “Em relação à América Latina, isso pode significar que a doutrina Monroe será mantida, mas que o corolário (Ted) Roosevelt – a diplomacia do porrete (como se viu com relação à Venezuela) - talvez seja algo abrandado”. 

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