Celso Amorim: Temo que tentem fazer do Alberto Fernández um novo Allende
Embaixador disse à TV 247 que teme um cerco de países capitalistas contra a Argentina em decorrência da política progressista do presidente Alberto Fernández, assim como fizeram com o ex-presidente chileno Salvador Allende, que foi ainda mais incisivo e implantou uma experiência socialista no Chile. Assista
247 - O embaixador e ex-ministro Celso Amorim comentou na TV 247 as críticas feitas no Brasil em relação à Argentina, governada atualmente por Alberto Fernández. Recentemente, diante das mudanças de caráter progressistas implementadas por Fernández na Argentina, houve um movimento na mídia brasileira e redes sociais ligadas à direita e à extrema-direita chamando o país de ‘nova Venezuela’.
Para Celso Amorim, as comparações entre Argentina e Venezuela, assim como entre Fernández e o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, “não têm cabimento”. “O Alberto Fernández foi eleito democraticamente, a vitória dele foi reconhecida inclusive pelo Macri. O que acontece é que o Alberto Fernández é um homem de fibra, de princípios e ele vai fazer o que for melhor para a Argentina dentro dos limites. O caso dele, comparar com o Chávez é totalmente errado. Chávez foi eleito, claro, legalmente, mas com fortíssimo apoio militar, nunca foi o caso do Alberto Fernández, que é um sujeito de origem liberal democrática, social também, em uma linha cristã. Nunca o vi dizer ‘sou socialista’, é progressista, tem feitos coisas progressistas”.
O embaixador confessou temer possíveis represálias contra Fernández por países capitalistas, assim como foi feito com o ex-presidente chileno Salvador Allende, que foi derrubado por forças de direita dentro e fora do país em razão de ter implantado uma experiência socialista no Chile. “O que eu temo - e que temos que ficar alertas, todos os progressistas da América Latina, da América do Sul, e conseguir também expandir isso para o mundo - é que eles queiram fazer do Alberto Fernández um Allende, isso é que eu temo. Eleito legitimamente, no caso do Alberto Fernández até com maioria absoluta, e essa campanha, é muito significativo que aqui isso tenha começado já pela nossa mídia para criar um clima. Eu acho que vai ser difícil uma coisa desse tipo, mas é preocupante”.
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