Chávez sem silicone

Fanfarrão de Caracas quer acabar com o que resta de bom na Venezuela: as mulheres mais lindas do mundo, como a Miss Universo 2009 Stefania Fernandéz

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Marco Damiani – A Venezuela está prestes a perder um motivo de orgulho nacional e repercussão internacional. Com impressionantes seis títulos de Miss Universo, cinco campeonatos de Miss Mundo e seis troféus de Miss Beleza Internacional, o país pode ganhar uma legislação específica contra o uso de silicone nos seios, o que vai retirar das futuras candidatas um forte atributo, ou melhor, dois, no momento de passar pelo crivo dos juízes dos concursos. Partem do coronel Hugo Chávez, que preside o país desde 1999, as críticas mais fortes ao uso do recurso estético pelas mulheres venezuelanas. Ele usou no domingo 13 o seu programa de tevê Alô Presidente para atacar os médicos que recomendam esse tipo de operação às suas pacientes. “Que é isso, compadre?”, perguntou Chávez, com seu gestual característico, na direção dos cirurgiões plásticos. A Venezuela apresenta uma média de 30 mil mamoplastias por ano.

Sobraram críticas, igualmente, para as mulheres pobres que procuram ficar mais bonitas por meio do recurso de aumentar o tamanho dos seios. “É triste ver que moças e mulheres que muitas vezes não têm recursos para comprar uma moradia ou dar ‘papita’ para seus filhos paguem por uma cirurgia para colocar silicone”, atacou Chávez. Segundo ele, as mulheres que têm seios pequenos se sentem pressionadas pelas que têm seios grandes a fazer cirurgias plásticas sem necessidade. E deu um exemplo: “Recebi uma carta com um pedido para que a Presidência da República financiasse um implante de silicone”. Chávez emendou que cirurgias deste tipo custam atualmente na Venezuela entre 20 mil e 30 mil bolívares – entre US$ 4,3 mil e US$ 6,5 mil. “Eu, certamente, tive de recusar”, contou o líder bolivariano.

Chávez costuma usar o programa Alô Presidente para disparar torpedos que, pouco mais tarde, se transformam em decretos ou outros instrumentos legislativos. Nos últimos anos, praticamente todas as misses eleitas pela Venezuela com sucesso mundial utilizaram o recurso da melhoria estética por meio do silicone. Se a lei de Chávez contra os seios grandes for baixada, o país corre o sério risco de perder o título de possuir os concursos de belezas nacionais mais importantes do mundo e, com ele, o segundo lugar no ranking mundial de vencedores de concursos internacionais – atrás apenas dos EUA.

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