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Chavismo continuará sem Chávez

Nicolás Maduro deve herdar espólio de líder bolivariano, Alba ainda respira e Cuba passará a buscar alternativas à ajuda econômica do país aliado

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- Ontem, o diabo veio aqui e ainda é possível sentir o cheiro de enxofre.

Assim o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, morto na última terça-feira de câncer, exorcizou, durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2006, o então presidente dos EUA, George W. Bush, à época em guerra com Afeganistão e Iraque e que mantinha, na lista do "eixo do mal", Líbia, Irã, Cuba e Coreia do Norte.

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Com a saída de cena do líder da Revolução Bolivariana, a esquerda latino-americana, ficará órfã e o Chavismo terá que enfrentar um tempo de incertezas. Vice ungido como sucessor, o moderado ex-maoísta e ex-motorista de ônibus Nicolás Maduro deve convocar novas eleições. A expectativa é de que o novo pleito ocorra até o dia 7 de abril deste ano.

A interrogação é se o Chavismo sobreviverá à morte de seu ícone. Doutor em Sociologia, Demétrio Magnoli diz que não. Segundo ele, o Chavismo é uma doutrina política e ideológica que mistura a utopia da Pátria Grande Bolivariana, impulsos românticos do nacionalismo, um visceral antiamericanismo, temperados com conceitos marxistas. Há controvérsias.

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Venezuela, fevereiro de 1992. Tenente-coronel do corpo de paraquedistas do Exército do País, Hugo Chávez deflagra um golpe contra o presidente constitucional Carlos Andrés Pérez. O putsch é derrotado. "Me retiro, por ahora", discursou o militar, já preso. À época, eu exercia o cargo de editor de Nacional e Internacional do Diário da Manhã e monitorei a crise.

Linhagem militar

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De linhagem militar e inspirado em Simon Bolívar, ele acabou seduzido pelas ideias do sociólogo argentino – sempre um sociólogo no meio – Norberto Ceresole. Sem armas nas mãos, o homem chegou ao poder em 8 de dezembro de 1998, com 56,24% dos votos válidos. Uma revolução silenciosa. Já em 30 de julho de 2000, ganha um novo mandato presidencial por 56,9%.

Um golpe civil, militar e midiático o retira do poder por 48 horas em 10 de abril de 2002. Por dois dias, o empresário Pedro Carmona assume o poder. Mas militares e civis mobilizados lhe impuseram um contragolpe. "Ele" voltou pelas portas da frente ao Palácio de Miraflores. Hugo Chávez já recitava outra cartilha, a do socialismo do século 21, de Heinz Dieterich.

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Liberal, Demétrio Magnoli relata que então o que se viu na Venezuela foi a execução de um programa de nacionalização e estatização de empresas em áreas estratégicas da economia. Mais: o estabelecimento de políticas de controle de preços, a ampliação da rede de proteção social, a criação de missões sociais, com a bênção de Fidel Castro, o revolucionário que virou tirano.

Com âncora nos bolsões periféricos do País, acabou reeleito em 3 de dezembro de 2006. Detalhe: com 62% dos votos. Como venceu novo referendo em 15 de fevereiro de 2009 com 54%, ele pôde candidatar-se a um novo mandato. O que fez, em outubro de 2012, na qual derrotou o oposicionista liberal Henrique Capriles, com 55% dos votos.

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Ao contrário do que aposta Demétrio Magnoli, o analista político argentino Rosendo Fraga frisa ao jornal O Estado de S. Paulo que o Chavismo sem Hugo Chávez perdurará. Motivo: ele possui fortes raízes sociais. Para ele, o presidente reeleito do Equador, economista Rafael Correa, pode interpretar o papel de Hugo Chávez em uma América Latina radicalizada. Concordo.

Outra incógnita é como reagirá Cuba caso o auxílio de seu principal parceiro no século 21 seja suspenso. "Caso o Chavismo saia do mapa na Venezuela, Cuba enfrentará agruras, mas não do mesmo tipo do "período especial" (1991-1999), pós-desmanche do socialismo no leste europeu, crê o historiador Daniel Aarão Reis Filho. "Cuba enfrentará agruras, mas não do mesmo tipo".

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Professor da USP, o historiador Lincoln Secco avalia que o fim da ajuda à ilha seria um golpe na economia cubana. "Mas Cuba continuou sem a União Soviética e continuaria sem a Venezuela. Nada indica que a Venezuela vá retroceder mesmo sem a figura de Chávez e há outros países com os quais Cuba tem boas relações comerciais e diplomáticas, como Brasil, Argentina e China".

Economia diversificada

Para o jornalista e diretor do site de Política Internacional Opera Mundi, Breno Altman, a economia cubana, hoje, é mais diversificada e protegida do que durante o período soviético. "Caso a direita volte a governar a Venezuela, é claro que seria um golpe duríssimo, mas acho ser precipitado a comparação com a situação provocada pelo fim da ex-URSS".

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