Chirac solta o verbo contra Sarkozy

Ex-presidente da Frana quebra o silncio e faz revelaes cidas contra seu sucessor em autobiografia



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Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris - “Nervoso, impetuoso, que transborda ambição, sem duvidar de nada e muito menos dele mesmo.” Depois de 12 anos de discrição, o ex-presidente francês Jacques Chirac quebra o silêncio e dá uma surra em seu sucessor Nicolas Sarkozy com ácidas críticas no segundo volume de sua autobiografia. Dedicado a seus dois mandatos no Elysée, o antigo chefe de estado descreve em seu livro, sem parcimônia, o que pensa do atual presidente, com quem conviveu boa parte de sua vida política.

As primeiras páginas de seu livro são dedicadas a desconfiança de que Nicolas Sarkozy está por trás da denúncia da venda supervalorizada de terrenos que pertenciam à família de sua esposa Bernadette, em 1995 – três meses antes da eleição presidencial. E depois disso, por que Nicolas Sarkozy não foi escolhido para primeiro-ministro em 2002 e em 2004 ? “Eu não sinto por ele nenhuma antipatia pessoal, muito pelo contrário, mas nós não estamos de acordo sobre o essencial”, disse Chirac. “Ele é atlantista (de acordo com a política americana) e eu não sou. Ele é muito mais liberal do que eu no plano econômico. Ele é a favor da discriminação positiva e eu sou radicalmente contra. Então, isso não podia funcionar”, completou.

Jacques Chirac invoca igualmente diversos episódios conflituosos entre ele e Nicolas Sarkozy quando era seu ministro do interior. “Suas ambições presidenciais ficaram rapidamente claras, assim que chegou na Place Beauvau. Eu logo me recusei a entrar na disputa de força que ele tentava estabelecer entre nós, considerando que isso poderia ser destruidor para nossas instituições”, disse.

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O último capítulo dessa discórdia, que evidencia ainda mais as diferenças entre os dois, foi o momento vivido na noite de 6 de maio de 2007. O ex-chefe de Estado assistia a cerimônia de posse do novo presidente da Vª República, Nicolas Sarkozy, ao lado de esposa Bernadette, de seu neto Martin e de alguns parceiros políticos. “Ouvimos com muita atenção cada frase, cada palavra pronunciada, esperando secretamente o momento em que ele citaria sem dúvida o nome daquele que estava prestes a suceder, ou mesmo agradeceria pelo apoio recebido. Mas esse momento nunca chegou. Da minha parte, eu me abstenho de manifestar qualquer reação. Mas no fundo, isso me tocou.”

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