Colômbia: mais de 2.300 casos de violência policial registrados contra manifestantes

A ONG Temblores anunciou, entre os abusos da polícia colombiana, 18 vítimas de agressão sexual perpetradas pelas forças repressivas

(Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)
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TeleSur - A Organização Não Governamental (ONG) Temblores publicou nesta terça-feira seu relatório atualizado sobre os números da repressão perpetrada por agentes do Esquadrão Móvel Antimotim (ESMAD) e do Exército contra manifestantes, que já completaram 21 dias mobilizados na Colômbia.

“Após um longo dia de apuração, pudemos comprovar que entre 28 de abril e 17 de maio ocorreram pelo menos 2.387 casos de violência policial, entre os quais registramos 43 homicídios supostamente cometidos pela polícia”, indica o relatório.

A ONG informou 1.139 detenções arbitrárias, 472 intervenções classificadas como violentas pela força pública, 384 cidadãos vítimas de violência física, 146 casos de armas de fogo, 33 casos de lesões oculares, 18 vítimas de agressão sexual e cinco vítimas de violência de gênero.

“As últimas denúncias que foram registradas vieram principalmente de Yumbo, Valle del Cauca (...) dentro dos casos de violência da força pública, os casos de desaparecidos não são contabilizados”, ressalta Temblores.

Diante dos atos concomitantes de repressão no marco da Greve Nacional, a ONG Temblores expressa sua preocupação pelo uso de armas de combate pela ESMAD contra os colombianos mobilizados, “expressamos nossa preocupação por uma série de práticas violentas como o uso de gás lacrimogêneo em áreas residenciais, uso irregular do solo e fora dos veículos ESMAD do lançador de projéteis do Venom ", acrescentam.

Em seu relatório, Temblores rejeita categoricamente o pronunciamento do presidente Duque, que na última segunda-feira ordenou às forças públicas um maior desdobramento para desobstruir as estradas, estigamizando os manifestantes como "sabotadores da economia e do desenvolvimento do país".

“É evidente a falta de vontade do governo em enfrentar o problema para além da aplicação de sanções disciplinares a casos isolados”, afirma Temblores.

Diante da insistência do Executivo em continuar resolvendo os problemas sociais do país com a ESMAD e o Exército, Temblores recomenda que os manifestantes fiquem nas ruas até as 18h (hora local), quando o sol se põe no país.

“Recomendamos que todos os cidadãos, em caso de violência policial, realizem o processo de documentação em local seguro, sem comprometer a sua vida ou integridade (...) recomendamos que utilizem os nossos canais de denúncia, recepção de reclamações e aconselhamento jurídico”, termina a declaração.

Duque nega negociações

O Comitê Nacional de Desemprego emitiu nota nesta segunda-feira após o segundo encontro com representantes do Governo colombiano presidido por Iván Duque, onde destacam que o Executivo não tem vontade de avançar nas negociações e cessar pacificamente as manifestações que já completou 20 dias.

“Esperávamos uma resposta às nossas exigências de garantias para o protesto, para iniciar as negociações, e o Governo disse não a tudo e até não fez referência a vários assuntos”, indica o comunicado do Comitê.

Diante de um possível avanço no diálogo, o Comitê Nacional de Desemprego destacou que, ao invés de encontrar uma posição pacífica, o cenário era de barbárie contra os manifestantes pelo Executivo. “A verdadeira resposta que recebemos hoje foi a violência policial brutal desencadeada desde a noite passada em Yumbo, com pelo menos dois assassinatos, 24 feridos e 18 desaparecidos”, acrescentam.

“Durante a reunião, o presidente Duque anunciou o desdobramento da capacidade máxima da força pública para desbloquear o país. A resposta às garantias é a de terra arrasada contra a Greve Nacional”, ressalta o pronunciamento do Comitê.

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