Companhias aéreas suspendem voos para o Oriente Médio após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã
Empresas cancelam operações no Oriente Médio após ofensiva dos EUA e de Israel; espaço aéreo é fechado e voos são desviados em toda a região
247 - Companhias aéreas de diferentes países suspenderam voos em todo o Oriente Médio neste sábado, após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, desencadeando uma nova escalada militar na região. As informações foram divulgadas pela Reuters, que acompanhou os desdobramentos ao longo do dia.
Mapas de rastreamento aéreo mostravam o espaço aéreo praticamente vazio sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel e Bahrein. Israel afirmou ter conduzido ataques contra o território iraniano, enquanto os militares norte-americanos iniciaram uma série de ofensivas contra alvos no país. Em resposta, o Irã lançou uma salva de mísseis, ampliando o confronto.
Dados preliminares da empresa de análise Cirium indicaram que quase 40% dos voos com destino a Israel foram cancelados no sábado, além de 6,7% das operações previstas para a região de forma geral. A interrupção afetou uma malha aérea estratégica, responsável por conectar Europa e Ásia e por concentrar alguns dos aeroportos mais movimentados do mundo.
Testemunhas relataram à Reuters explosões em várias partes do Golfo, incluindo Doha, no Catar — onde está localizada a maior base militar dos EUA no Oriente Médio —, além de Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A escalada militar reduziu as perspectivas de uma solução diplomática para a disputa nuclear entre Teerã e países ocidentais, reacendendo tensões após semanas de reforço da presença militar norte-americana na área.
O fechamento do espaço aéreo de Israel, Irã, Iraque, Bahrein, Catar, Kuwait e Jordânia obrigou aeronaves a evitarem a região, conforme indicavam plataformas como o Flightradar24. Zonas de conflito impõem desafios crescentes às companhias aéreas, tanto pelo risco de incidentes envolvendo aeronaves comerciais quanto pelo aumento dos custos operacionais decorrentes de rotas mais longas e maior consumo de combustível.
Companhias suspendem operações
Entre as empresas afetadas está a British Airways, pertencente ao grupo IAG. A companhia informou que monitora a situação e cancelou voos para Tel Aviv e Bahrein até 3 de março, além das operações previstas para sábado com destino a Amã.
A alemã Lufthansa anunciou a suspensão dos voos de e para Dubai no sábado e domingo, bem como a interrupção temporária das rotas para Tel Aviv, Beirute e Omã até 7 de março. A Air France cancelou voos de e para Tel Aviv e Beirute, enquanto a Iberia também suspendeu operações para Tel Aviv.
A Wizz Air informou que interrompeu imediatamente voos de e para Israel, Dubai, Abu Dhabi e Amã até a mesma data mencionada pelas demais companhias europeias.
Na Rússia, o Ministério dos Transportes comunicou que as companhias do país suspenderam voos para Irã e Israel. A autoridade europeia de aviação civil, EASA, recomendou que empresas da União Europeia evitem o espaço aéreo afetado pela intervenção militar em curso.
Impacto regional e risco prolongado
Especialistas avaliam que as restrições podem persistir. Eric Schouten, chefe da consultoria de segurança da aviação Dyami, afirmou: "Com as hostilidades já em curso, o impacto na aviação regional é imediato e altamente variável". Ele acrescentou: "Também prevemos evacuações preventivas ou fechamentos temporários em aeroportos selecionados do Golfo, caso a área de ameaça se expanda, o que interromperia imediatamente importantes centros de transporte".
Companhias indianas, incluindo a Air India, também suspenderam voos para o Oriente Médio.
No Golfo, a Emirates informou que diversos voos foram afetados pelo fechamento do espaço aéreo. Sua empresa irmã, a flydubai, declarou ter suspendido temporariamente as operações no sábado “devido aos acontecimentos na região”.
A Qatar Airways e a Kuwait Airways anunciaram a suspensão temporária de voos, enquanto a Turkish Airlines cancelou operações para diversos destinos no Oriente Médio. A autoridade de aviação do Kuwait anunciou a interrupção de todos os voos para o Irã até novo aviso, segundo a agência estatal de notícias.
A Oman Air suspendeu todos os voos para Bagdá. Já a KLM, subsidiária do grupo Air France-KLM, antecipou a suspensão da rota entre Amsterdã e Tel Aviv, cancelando o único voo previsto para sábado após os ataques no Irã. A medida havia sido inicialmente programada para entrar em vigor no domingo, 1º de março.
Por fim, a Virgin Atlantic informou que decidiu evitar temporariamente o espaço aéreo iraquiano, redirecionando parte de suas operações.
Com múltiplos espaços aéreos fechados e tensões ampliadas também envolvendo Afeganistão e Paquistão, o setor aéreo enfrenta um cenário de incerteza. Passageiros e empresas aguardam definições sobre a reabertura das rotas, enquanto a instabilidade militar segue impactando uma das regiões mais estratégicas da aviação global.