Conflito com Irã fere soldados dos EUA e amplia tensão militar
Ataques iranianos deixam 29 militares feridos e danificam aviões, enquanto EUA avaliam ofensiva final e mantêm expectativa de negociações
247 - A escalada do conflito entre Estados Unidos, Irã e aliados regionais entrou em seu segundo mês com novos episódios de violência e aumento da tensão militar. Ataques retaliatórios atribuídos a Teerã teriam deixado ao menos 29 soldados americanos feridos e provocado danos a aeronaves de reabastecimento, em meio à intensificação das operações na região.
De acordo com informações divulgadas pela emissora estatal russa RT, os bombardeios iranianos tiveram como alvo instalações americanas e israelenses, incluindo a Base Aérea Príncipe Sultan, localizada na Arábia Saudita. No local, além dos feridos, aviões-tanque do modelo KC-135 Stratotanker teriam sido atingidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã está sendo “dizimado” e que o país não teria mais capacidade de reagir de forma significativa. Durante uma conferência de investimentos apoiada pela Arábia Saudita, ele declarou que restariam “3.554 alvos” a serem atingidos em território iraniano. Segundo dados recentes do Departamento de Guerra, os EUA já teriam realizado cerca de 10 mil missões aéreas desde o início da ofensiva.
Apesar do discurso duro, o governo americano mantém publicamente a possibilidade de negociação. O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, afirmou estar “esperançoso” quanto à realização de uma reunião com autoridades iranianas ainda nesta semana.
Nos bastidores, no entanto, o Pentágono estaria avaliando cenários para uma ofensiva decisiva contra o Irã, incluindo o envio de um terceiro porta-aviões ao Oriente Médio, o USS George H.W. Bush, o que indicaria uma possível ampliação da presença militar americana na região.
Do lado iraniano, autoridades prometeram impor um “preço alto” aos adversários após uma série de ataques recentes atingir infraestruturas estratégicas do país. Entre os alvos estariam duas grandes siderúrgicas, uma usina de energia e instalações nucleares civis, incluindo a Usina Nuclear de Bushehr.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, confirmou ter sido informada pelo Irã sobre um novo possível ataque israelense nas proximidades de Bushehr — o terceiro incidente registrado em um intervalo de dez dias.
Em paralelo, Trump também voltou a criticar a OTAN, classificando a aliança como um “tigre de papel” e afirmando que a organização cometeu um “erro tremendo” por “simplesmente não estar lá” para apoiar as operações americanas contra o Irã.
A tensão regional pode se ampliar ainda mais. As forças armadas do Iêmen, sob liderança dos houthis, declararam estar “prontas para uma intervenção militar direta” caso Estados Unidos e Israel intensifiquem as ações contra o Irã, o Líbano e a Faixa de Gaza.
O cenário, marcado por ataques sucessivos, ameaças e movimentações militares, reforça o risco de um conflito de maiores proporções no Oriente Médio, mesmo diante de sinais ainda incertos de possíveis negociações diplomáticas.