Conselho de Direitos Humanos da ONU aprova resoluções contraditórias sobre a Venezuela

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, diz que seu país está disposto a cooperar com a ONU, mas rejeita políticas intervencionistas adotadas sob o pretexto de defender os direitos humanos

Conselho de Direitos Humanos da ONU
Conselho de Direitos Humanos da ONU (Foto: ONU)
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247 - O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou nesta terça-feira (6), duas resoluções que vão em direções opostas sobre o tema dos Direitos Humanos.

Aprovada durante a 45ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a primeira resolução visa fortalecer a cooperação e a assistência técnica em direitos humanos na nação sul-americana.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, a resolução visa “fortalecer o trabalho conjunto entre o Alto Comissariado para os Direitos Humanos e a Venezuela. Como disse o presidente Nicolás Maduro à Alta Comissária da ONU, Michelle Bachelet, dias atrás, o compromisso de nosso país com os direitos humanos é absoluto ”.

A segunda resolução, porém, foi promovido pelo Grupo Lima e representa para o governo venezuelano uma nova tentativa de interferir nos assuntos internos da Venezuela.

A primeira resolução foi apresentada por Irã, Síria, Turquia e Venezuela, e visa o fortalecimento da cooperação em direitos humanos e do trabalho conjunto entre o Gabinete da Alta Comissária, Michelle Bachelet, e a nação bolivariana. Esta resolução foi aprovada com o voto de 14 países a favor, sete contra e 26 abstenções. O Brasil votou contra.

Segundo o chanceler venezuelano, a aprovação da resolução ocorreu apesar de "fortes pressões" dos Estados Unidos (EUA) e de seus "satélites" no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Arreaza questionou os votos dos representantes de países que se consideram defensores dos direitos humanos, mas não apoiaram a proposta de fortalecer o trabalho nesta área entre o Gabinete do Alto Comissário e a Venezuela.

O chanceler venezuelano agradeceu o apoio oferecido pelos "governos livres e soberanos", que apoiaram a Resolução com o único interesse de continuar a cooperação em direitos humanos.

A aprovação da resolução para trabalhar em conjunto com o Escritório do Alto Comissariado representa para a Venezuela a oportunidade de coordenar políticas que garantam esses direitos, bem como de mostrar a verdade do país a esse respeito.

Além disso, poderia ajudar a banir a questão das violações de direitos como subterfúgio para ataques e políticas intervencionistas.

“A ideia é que não haja ataques e políticas intervencionistas a pretexto dos direitos humanos”, disse Arreaza em mensagem postada em sua conta na rede social Twitter.

Esta crítica dirige-se a outra resolução, promovida pelo Grupo de Lima, aprovada com 22 votos a favor, 22 abstenções e três contra. Esta resolução busca manter por mais dois anos a missão que investiga as supostas violações de direitos humanos na Venezuela.

Segundo a ex-embaixadora argentina na Venezuela e no Reino Unido, Alicia Castro, esta Resolução "do nefasto Grupo Lima" foi elaborada pelos Estados Unidos "com o propósito explícito de desintegrar nosso bloco regional e intervir na Venezuela". .

Por sua vez, o governo venezuelano denunciou esta manobra como forma de justificar os atentados contra o país, por se referir a supostas irregularidades de direitos humanos que supostamente afetam o povo venezuelano.

A esse respeito, Arreaza denunciou que a missão que investiga as supostas violações é inédita na América Latina e seu primeiro relatório apresentado foi denunciado pelo governo venezuelano por ser politicamente motivado e pouco profissional.

Nesse sentido, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, advertiu em setembro passado que o trabalho daquela Missão Internacional foi "pago" pelo chamado Grupo Lima, formado por países que não reconhecem o Governo de Nicolás Maduro e procuram buscar uma saída para a suposta crise venezuelana.

Por sua vez, o destacado intelectual argentino Atilio Borón criticou a posição de seu país ao aprovar a referida resolução proposta pelo Grupo Lima, que qualificou de "sério revés na política externa argentina", informa a Telesul.

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