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Departamento de saúde dos EUA recomenda reclassificação da maconha para categoria de menor risco

Mudança na classificação dependerá da aprovação da agência antidrogas do país

Departamento de saúde dos EUA recomenda reclassificação da maconha para categoria de menor risco (Foto: REUTERS/Washington Alves)

247 - O Departamento de Saúde dos Estados Unidos emitiu uma recomendação que poderia ter implicações significativas na política de drogas do país, sugerindo a reclassificação da maconha para a categoria de menor risco. A proposta, se aprovada, rebaixaria a maconha para a categoria 3 de substâncias controladas, alinhando-a a medicamentos com prescrição médica e afastando-a da categoria 1, que inclui substâncias como a heroína e o LSD, destaca o jornal Folha de S. Paulo. A decisão final, no entanto, fica a cargo da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas dos EUA.

A recomendação foi precedida por uma avaliação médica e científica conduzida pelo Departamento de Saúde e agora aguarda a revisão da DEA. "O processo é independente e liderado pelo Departamento de Saúde, pelo Departamento da Justiça e guiado por evidências", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

Essa mudança de classificação pode marcar um ponto de viragem na abordagem dos EUA em relação à maconha. Atualmente, quase 40 estados já legalizaram alguma forma de consumo da substância, abrangendo desde o uso recreativo até pesquisas e prescrições médicas. No entanto, a nível federal, a maconha continua sendo ilegal, com exceções limitadas para fins científicos.

Além das implicações no consumo e uso medicinal, a possível aprovação da DEA poderia ter impactos significativos no mercado da cannabis. Isso abriria a porta para a listagem de empresas do setor nas grandes Bolsas de Valores americanas e possibilitaria o ingresso de empresas estrangeiras no mercado dos EUA.

A indústria da maconha também apresenta benefícios fiscais substanciais, contribuindo com bilhões de dólares em receita. Em 2022, apenas considerando os 11 estados que impuseram impostos específicos sobre o uso recreativo da droga, a maconha gerou cerca de US$ 2,9 bilhões em receita, de acordo com dados do Centro de Estudos Tributários do Urban Institute e da Brookings.

George Archos, CEO da Verano, uma empresa do setor, comentou: "Por muito tempo, a proibição da cannabis e sua classificação desatualizada como substância de categoria 1 têm prejudicado injustamente inúmeras pessoas afetadas pela fracassada guerra às drogas." Edward Conklin, da ONG Conselho da Cannabis dos EUA, que busca a regulamentação da indústria, acrescentou: "A reclassificação para categoria 3 representaria a reforma mais significativa sobre a cannabis a nível federal na história, colocando o país no caminho para encerrar a proibição."

Em outubro do ano passado, o presidente Joe Biden havia dado um passo inicial rumo à descriminalização da maconha ao conceder perdão a todos os condenados em nível federal por posse da substância. No entanto, a medida afetou principalmente um número limitado de pessoas presas e condenadas por agentes federais ao longo das décadas. O presidente instou os governadores estaduais a seguir seu exemplo e adotar medidas semelhantes nas esferas estaduais.