Depois da euforia, o medo

As comemoraes depois do anncio da morte de Osama bin Laden deram lugar a medidas extremas de segurana; Israel entra em estado de ateno; embaixadas reforam policiamento

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247, com AE - Assim que o presidente Barack Obama foi à televisão e comunicou a morte de Osama bin Laden, milhares de americanos saíram às ruas para comemorar. Países de todo o mundo emitiram comunicados saudando a operação americana no Paquistão, que resultou na captura e execução do mais procurado terrorista de todos os tempos. Até mesmo, o conselho de segurança da ONU festejou a notícia, numa rara demonstração de satisfação pela morte de uma pessoa. Passadas as primeiras horas de euforia generalizada, o mundo entra numa nova fase: a fase do medo. A retaliação por parte de grupos terroristas é praticamente certa, segundo os órgãos de segurança de todo o mundo. A CIA foi a primeira a dar o alerta. O diretor da agência de espionagem americana, Leon Panetta, disse que a rede terrorista da al-Qaeda deve "quase certamente" tentar vingar a morte de Bin Laden. "Apesar de Bin Laden estar morto, a al-Qaeda não está", disse Panetta. "Os terroristas quase certamente vão tentar vingá-lo, e nos devemos -e vamos- permanecer vigilantes e resolutos."

No final da tarde, o governo de Israel decretou estado de alerta em todo o país, prevendo um ataque de vingança por parte de terroristas. O ministro das Relações Exteriores do país, Avigdor Lieberman, disse na rádio do exército israelense que "os primeiros dias depois da morte de Bin Laden serão cruciais porque todas as organizações ligadas à Al-Qaeda ou que reivindicam representá-la vão se esforçar para realizar um ataque espetacular".

Até mesmo o governo brasileiro que havia sido cauteloso ao se manifestar sobre a morte de Bin Laden, mudou o tom ao longo do dia. O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que as representações diplomáticas em Islamabad, capital do Paquistão, estão em alerta contra eventuais retaliações promovidas em razão do assassinato do líder da organização terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden. Apesar do estado de atenção, Patriota disse que, em conversa telefônica, o embaixador no Paquistão, Alfredo Leoni, afirmou que há um clima de “certa segurança e tranquilidade” na capital paquistanesa.

“O nosso pessoal que cuida de segurança recomenda que não sejam utilizados caminhos inabituais ou nada do estilo. Ele transmitiu uma certa segurança e tranquilidade até porque a capital Islamabad é uma cidade tranqiila comparativamente no Paquistão. Alguns cuidados estão sendo tomados sim, mas o que ele fez foi só autorizar os diplomatas a irem mais cedo para casa”, disse o chanceler ao relatar o telefonema.

“O Paquistão é um país em que podem acontecer atentados terroristas, tem acontecido recentemente. Fora isso, considero que cada um tome as medidas que considerem necessárias. Não faria nenhuma recomendação adicional, sempre tendo presente que no mundo árabe nesse momento existem situações de insegurança”, declarou.

Antonio Patriota relembrou ainda que o “Brasil não costuma ser alvo de atentados terroristas”, mas quem, diante do assassinato de Bin Laden, sempre é preciso manter uma “vigilância elevada”. “Manteremos contato com as diferentes embaixadas para responder a preocupações localizadas que surgirem”, resumiu o ministro de Relações Exteriores.

Nos EUA, a primeira providência foi reforçara a segurança nos aeroportos. As verificações de bagagem e a checagem de documentos de passageiros se tornaram mais rigorosas e provocaram algumas filas nas áreas de embarque. Pontos turísticos e de grande movimentação receberam policiamento extra.

No final desta segunda-feira, o clima em vários países era muito diferente das primeiras horas do dia. No final da noite de 1º de maio (madrugada do dia 2 no Brasil), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a morte do terrorista Osama bin Laden. “A justiça foi feita”, afirmou Obama num discurso histórico representando o ápice da chamada “guerra ao terror”, iniciada em 2001 pelo seu predecessor, George W. Bush. Osama foi encontrado e morto em uma mansão na cidade paquistanesa de Abbottabad, próxima à capital Islamabad, após meses de investigação secreta dos Estados Unidos .

A morte de Bin Laden – o filho de uma milionária família que acabou por se tornar o principal ícone do terrorismo contemporâneo -, foi recebida com enorme entusiasmo nos Estados Unidos e massivamente saudada pela comunidade internacional. Enquanto a secretária de Estado dos EUA afirmava que a batalha contra o terrorismo continua, o alerta disseminado em aeroportos horas depois da notícia simboliza a incerteza do impacto efetivo da morte de Bin Laden no presente e no futuro.

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